Tribuna do Leitor

O aumento dos vereadores e o doente


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As manifestações de Paulo Simonelli, Pedro Benedito Valentin (Tribuna do Leitor do JC de 5/12/07) e Carlos Alberto Alves (Tribuna do Leitor do JC de 8/12/07) sobre o aumento dos salários dos vereadores podem ser traduzidas em uma só: indignação. Bauru pode ser comparado a um paciente hospitalizado e com vários problemas clínicos (demandas sociais, ruas com buracos, esgoto sem tratamento, P1 e P2 em regime semi-aberto, bairros da periferia sem asfalto, saúde deficiente, etc, etc) e que vem sendo cuidado por um médico(o prefeito) que não tem conseguido êxito no tratamento.

O sangue (recursos financeiros) do doente está anêmico e ele não consegue transfusão do banco de sangue (governo federal) porque está em atraso no pagamento do Banco Monetário (ou seja, está negativado no “Serasa”). Aí, para piorar ainda mais, vem os 15 auxiliares (os vereadores) do médico e decidem que era de hora de fazer literalmente uma sangria (aumento em 54% de seus vencimentos) no paciente. Com essa equipe médica (atuais políticos que administram Bauru), o doente só ficará curado por milagre. Vereadores de Bauru: o que os senhores propõem pode ser legal e até legítimo, mas não resiste à mínima avaliação moral e de sensatez.

Enquanto a Dengue, Leishimaniose e tantas outras mazelas atacam e vitimam o povo, os políticos (prefeito e vereadores) eleitos deveriam ter na cabeça que os recursos financeiros (que são poucos) do município devem ser priorizados para objetivos mais importantes e inadiáveis. Reflitam, ponham a mão na consciência e busquem dentro de cada um o que ainda restar de bom senso. Os senhores não são vereadores de cidades como Rosana-SP (duas hidrelétricas), Macaé-RJ (bacia de Campos/Petrobras), Pradópolis-SP (usina de açúcar S. Martinho - maior do mundo), onde os recursos fincanceiros repassados de “royalties” e do ICMS são fartos e as carências da população podem ser melhor atendidas.

Christopher Davies - engenheiro agrônomo - RG 8.739.141

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