Nusa Dua - Os EUA defenderam que fosse retirada de um projeto de texto, debatido nas negociações de Bali sobre o clima, uma dura meta de corte nas emissões de gases do efeito estufa a ser cumprida até 2020 pelos países ricos, afirmaram delegados ontem.
O encontro, que acontece de 3 a 14 de dezembro, procura dar início a dois anos de negociação sobre um pacto capaz de brecar o aquecimento da Terra. Mas atualmente encontra-se dividido quanto a incluir ou não diretrizes como um corte nas emissões dos países ricos para um patamar entre 25 e 40 abaixo dos níveis de 1990, até 2020.
“Os números ainda constam do texto. Há, no entanto, muitas pressões para que sejam retirados”, afirmou um delegado familiarizado com as negociações sobre o projeto de declaração. Ele corrigiu uma informação anterior segundo a qual os números tinham sido retirados.
Outros delegados também afirmaram que o projeto, elaborado por delegados da Indonésia, da Austrália e da África do Sul, ainda incluía as cifras apesar das pressões de países como os EUA, o Canadá e o Japão.
Na opinião do governo norte-americano, as metas para 2020 deveriam ser negociadas nos próximos dois anos ao invés de serem fixadas de forma antecipada como parte da luta contra o aumento das temperaturas da Terra, o que poderia provocar mais enchentes e secas, o derretimento das geleiras do Himalaia e a elevação do nível dos oceanos.
País pobre deve ter meta
Quem esperava que o Congresso dos EUA fosse dar em Bali um sinal claro de que o maior poluidor do mundo está pronto para assumir a liderança no combate ao aquecimento global a partir do ano que vem se frustrou. O senador democrata John Kerry disse ontem que seu país estará na mesa de negociações, mas deixou claro que o acordo pós-Kyoto precisa ser “global”', ou seja, os países em desenvolvimento precisam assumir metas obrigatórias.