Buenos Aires - Cristina Fernández de Kirchner assumiu na tarde de ontem a presidência da Argentina em cerimônia no Congresso do país.
Nove chefes de Estado e de governo de vários países estiveram presentes, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Cristina, 54 anos, recebeu a Presidência de seu marido, Néstor Kirchner, num fato inédito na história do país. Em seguida, recebeu a faixa presidencial e o bastão de comando das mãos do marido e antecessor. Durante a transferência do comando, houve uma chuva de papel picado das galerias do Congresso, em meio a aplausos.
Cristina Fernández se transformou na primeira mulher a chegar à Presidência argentina eleita diretamente para o cargo. No entanto, ela é a segunda presidente argentina. A primeira delas, Isabel Perón - que casou-se com Juan Perón após a morte de Evita- era vice-presidente quando o marido morreu, em 1974, e ocupou o posto por 20 meses antes de ser deposta por um golpe militar.
Seguirá política do marido
A insólita transmissão de mandato de marido a mulher propiciou momentos de emoção, mas também de humor, na posse de Cristina.
Na véspera, a ainda primeira-dama deu início às piadas, dizendo na recepção a chefes de Estado que haviam escolhido esse modelo de sucessão para oferecer apenas um jantar e assim economizar para o superávit fiscal do país.
No longo discurso em que fez, Cristina se referiu repetidas vezes ao marido como “o presidente sentado à minha esquerda”. Ao perceber a redundância, disse que ele estava nessa posição por acaso - para deixar claro que, politicamente, não está à direita dele.
Cristina se referiu sempre no plural às realizações do governo de seu marido, no qual não teve nenhum cargo oficial - era senadora. E deixou claro que continuará pelo caminho de Kirchner. “Suas convicções são as minhas”, disse.