Brasília - Com duas baixas de última hora por alegados motivos de saúde e sem ter ainda os votos necessários para aprovar a prorrogação do chamado imposto do cheque até 2011, o governo iria propor ontem, mais uma vez, o adiamento da votação da CPMF e, com isso, ganhar mais um dia de negociação com os “rebeldes” da base aliada e o PSDB.
O líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), tentou até a última hora reunir 49 votos - mínimo necessário para aprová-la -, mas, por volta das 19h acertou com o Planalto que a sessão de hoje será apenas para discussão da CPMF.
A votação deverá ser amanhã, mesmo dia em que o Senado elege o novo presidente. Oficialmente, a sessão destinada a votar a Proposta de Emenda Constitucionalm (PEC) está agendada para as 14h de hoje. Mas, como líder, Jucá tem prerrogativa para postergá-la. Na contabilidade do governo, não havia ontem nem mesmo os 46 votos assegurados até então.
O governo teve as baixas de Roseana Sarney (PMDB-MA) e Flávio Arns (PT-PR). “Não posso colocar em votação sem dois senadores da base (...) Queremos jogar na bola, não perder de W.O.”, disse Jucá. Roseana está internada no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília. Ela fraturou o pulso esquerdo quando brincava de skate com o neto. O hospital preparou uma cadeira especial caso ela tenha que se locomover às pressas. Arns também está hospitalizado.
Além disso, não há segurança sobre cinco votos na base: Expedito Júnior (PR-RO), César Borges (PR-BA), Romeu Tuma (PTB-SP), Geraldo Mesquita (PMDB-AC) e Osmar Dias (PDT-PR). O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), criticou a idéia de mudar o calendário. “Esse debate tem que ter um ponto definitivo no dia de hoje sob pena de termos um clima de instabilidade nos acordos e problemas de ordem institucional. Temos limites regimentais “, disse.
Pouco antes, o petista havia dito que “se o governo não tiver os votos não será em um ou dois dias que vai mudar, porque foi incompetência”. Também houve forte pressão dos governadores tucanos sob a bancada, como José Serra (SP) e Aécio Neves (MG). “O governador Serra acha que seria interessante o entendimento e indagou sobre a possibilidade de retomar as negociações”, disse Álvaro Dias (PSDB-PR), que esteve ontem com Serra. A interferência dos governadores deixou o clima tenso na bancada.
O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), criticou o governador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), que quer manter a CPMF. “O governador Cássio não teve nem tanto amor na campanha do Alckmin.” A ofensiva ontem para caçar votos na base e na oposição mobilizou até deputados. O líder do PR na Câmara, Luciano Castro (RR), teve longa conversa com Expedito Júnior no plenário. “Devemos ter o voto dele”, disse. E explicou: “Com carinho, amizade e muito amor”.
Já o deputado Ricardo Barros (PP-PR) foi em busca do voto de Osmar Dias. O senador foi taxativo: “Tem de haver o dinheiro no Hospital de Clínicas do Paraná”. “Se o presidente não puder conversar comigo, que mande outra pessoa que possa falar pelo governo, mas que mande até a hora da votação”, completou.
O governo ainda espera pelo voto de Jonas Pinheiro (DEM-MT) e Jayme Campos (DEM-MT), pressionados pelo governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), que teria recebido a promessa de renegociação de uma dívida milionária do Estado com a União. O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), disse que caso eles votem a favor da CPMF deverão ser expulsos da sigla.