Bairros

Coletor de lixo inova na gorjeta de Natal

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 2 min

Eles trabalham nas ruas de Bauru o ano todo. Na véspera do Natal, trabalham até mesmo depois de terminar a coleta do lixo, tudo para pedir a “caixinha” de final de ano e engordar o orçamento. Neste ano, alguns coletores inovaram na hora de fazer o envelope usado para arrecadar a doação. O envelope deixado nas residências, onde o dinheiro deve ser colocado, tem impresso as fotos dos coletores do bairro e o número do documento de identidade de cada um. Tudo isso para evitar que falsos coletores arrecadem a caixinha.

O envelope ainda contém mensagens orientando a entrega da doação somente para os coletores de lixo. De acordo com Eteovino Zacarias Martins, gerente da Limpeza Pública em Bauru, a iniciativa de distribuir os envelopes com as fotos partiu de alguns coletores. “Nos bairros em que as doações são maiores, os responsáveis pela coleta resolveram fazer o envelope com a fotos de cada coletor para receber a gorjeta dos moradores. Em outros locais, onde a arrecadação não é tão grande, os coletores vão utilizar o envelope branco com o carimbo da Limpeza Pública”, explica Martins.

Ele conta que tomando em média o ano de 2006, teve coletor que conseguiu ganhar cerca de R$ 800,00. “Nós da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) não estimulamos esse tipo de ação, mas como o pedido da ‘caixinha’ é feito fora do horário de trabalho, nós não impedimos”, justifica Martins.

Geraldo Pereira Brandão, 38 anos, trabalha na coleta de lixo de Bauru há nove meses, e esta será a primeira vez que ele vai pedir “caixinha” de Natal.

“Distribuímos o envelope há cerca de 15 dias. Até agora já consegui ganhar R$ 40,00 e mais arroz, feijão e champanhe doados pelas pessoas. Quero conseguir dinheiro suficiente para dar entrada em uma máquina de lavar roupas para minha esposa”, conta Brandão. Ele faz a coleta no período noturno na avenida Nações Unidas, Rodrigues Alves, Nuno de Assis e Rondon.

Atualmente, Bauru tem cerca de 120 coletores de lixo, divididos em grupos que são responsáveis por recolher os detritos em diversos bairros da cidade. “A maior preocupação nossa é que isso não pode virar um negócio, por isso nessa época aumentamos a fiscalização do serviço para que o pedido da caixinha não seja feito em horário de serviço e chegue a prejudicar a coleta do lixo na cidade”, adianta Martins.

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