A quantidade pode até ser pequena, mas o valor pago pela carne bovina tem pesado no bolso do consumidor nos últimos meses. Em alguns casos, como da picanha, o aumento chega a 30%. Segundo levantamento realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o reflexo da inflação sobre as variedades de carnes bovinas neste ano se equipara ao aumento de preços ocorrido em 2002, quando foi registrada alta de mais de 13% nos primeiros 11 meses daquele ano.
Vários fatores fizeram com que o preço do produto disparasse no mercado interno. O primeiro é o volume de exportações, já que o País registrou aumento nas vendas para o Exterior, principalmente Europa. A estiagem dos últimos meses também inflacionou os preços. O clima seco alterou o modo de alimentação dos animais, obrigando produtores a optar por rações ao invés do pasto.
“O consumidor está atento ao aumento dos preços”, afirma o gerente de um supermercado local, Marcos Renato Lourenção. Ele relata que os clientes não deixaram de comprar carne bovina, mas estão optando por quantidades menores. Lourenção afirma que, no estabelecimento, a procura pelo produto não registra queda significativa em virtude da cultura do brasileiro em consumir o alimento. “Mas as pessoas têm complementado o cardápio com carne de porco, de frango e peito de peru”.
Reajustes
Não foram somente as donas de casa que sentiram no bolso o aumento nos preços das carnes e seus cortes variados. Os churrasqueiros “de plantão” certamente têm encontrado dificuldades em comprar alguns cortes mais nobres para levar ao espeto. Desde novembro, a picanha teve reajuste de até 30% nos estabelecimentos consultados pelo Jornal da Cidade.
Nelson de Souza é proprietário de um açougue em Bauru. Ele afirma que houve reajuste nos preços há 45 dias, mas que atualmente os valores estão estabilizados. Segundo ele, o motivo foi o confinamento do rebanho. “Mas no final do ano, os preços tendem a aumentar um pouquinho também”, justifica. Nas carnes “de primeira”, utilizadas para churrasco, foram observadas altas de até 30%.
No açougue, o quilo da picanha, que era vendido a R$ 18,00, atualmente não é encontrado por menos de R$ 20,00 - dependendo da marca, pode chegar a R$ 30,00. O quilo da alcatra, vendido na faixa de R$ 11,00 há pouco mais de um mês, hoje é encontrado por R$ 14,00. “No ano passado não tivemos tanto reajuste devido ao problema da vaca-louca”, compara Souza.
Segundo ele, seus clientes estão optando por outros tipos de carne, como de porco e frango, que também já tiveram preços menores conforme matérias divulgadas pelo JC. “Vendia muita picanha, mas o volume está menor agora. Ao invés de picanha, (os clientes) estão levando carnes mais baratas.”
Ele acredita que, em Bauru, os valores irão diminuir somente a partir da segunda quinzena de janeiro, devido às férias de estudantes e viagens de muitos consumidores.