A temporada de chuva começou e, com ela, os buracos. A força da água faz aparecer crateras e aumenta as já existentes. Para piorar, o reparo fica comprometido justamente por causa da chuva. Tapar buracos nesta época, nem pensar. Por causa disso, a usina de asfalto da prefeitura nem funcionou ontem. O bauruense já deve ter percebido que há novos buracos nas ruas e muitos dos antigos estão maiores.
De acordo com o secretário municipal de Obras, Paulo Brites, tentar sair com uma das cinco equipes que realiza os reparos nas ruas seria desperdício de material. “A água destrói o serviço. Chuva e asfalto não se entendem”, declara. E até março, quando deve terminar a temporada de chuva, devem surgir milhares de novos buracos.
Por volta das 14h de ontem, por exemplo, quando o temporal estava mais intenso, a enxurrada cobriu várias quadras da avenida Nações Unidas, transformando a via em um rio, assim como outros trechos críticos da cidade.
A população, principal vítima das crateras, terá de ser paciente. Só quando o sol aparecer, a prefeitura deverá retomar o serviço tapa-buracos. Na Vila Alto Paraíso, os buracos do cruzamento das ruas Matilde Moreira com a Moacyr Zelindo Pereira, diminuíram de número - eram vários, que se juntaram numa imensa cratera. Para não cair no buracão, os carros são obrigados a contornar a vala. Vizinho do problema, o pintor Braz Manoel Antônio, 59 anos, relata que o martírio se estende há dois anos. “O pior é o barulho dos caros que brecam em cima da hora”, conta.
Enquanto a prefeitura espera a chuva passar, muitos moradores, cansados de esperar resolvem tapar os buracos com restos de construção civil, como cacos de telha. “Isso é paliativo. Colocar entulho, pedras, não resolve. Na primeira chuva, sai tudo”, observa Brites.
De acordo com o secretário, todas as reclamações que chegam à pasta são repassadas e entram no cronograma de conserto. Na usina de asfalto, um funcionário informou que na época de chuvas os pedidos para reparos chegam a triplicar.
O coordenador da 7ª região da Defesa Civil Estadual, Álvaro de Brito, calcula que a cidade tenha uma média de 35 mil buracos. “E a tendência é que abram outros milhares até passar o período de chuvas, em maço”, avalia. “É difícil encontrar uma rua de Bauru que hoje não tenha um buraco. A prefeitura está fazendo o seu trabalho, mas para dar conta, as equipes teriam que fazer cinco viagens por dia, o que é difícil”, destaca Brito apontando o clima, a falta de matéria-prima e a localização da usina como os vilões das operações tapa-buracos.
Quando o serviço de reparos puder ser retomado, o secretário de Obras explica que a prioridade serão as ruas e avenidas com maior fluxo de veículos. O tempo para o reparo, informa, depende da quantidade de solicitações. Para pedir o serviço, o munícipe deve ligar para a Secretaria Municipal de Obras, nos telefones (14) 3235-1060 e 3235-1070.