Turismo

Capital do Império

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 4 min

O Brasil Republicano fez do Rio de Janeiro a Capital Federal. A indústria ocupou áreas da zona sul e avançou com vigor para as áreas suburbanas, ainda desocupadas. Mas, no Centro, permaneceram as mais importantes instituições públicas e privadas, em uma cidade de características ainda coloniais, de ruas estreitas e irregulares.

E é por isso que o Centro do Rio é especial. Abriga imponentes edifícios de importância histórica e arquitetônica, marcado pelo gosto eclético, como o Museu Nacional de Belas Artes (avenida Rio Branco, 199), a Biblioteca Nacional (avenida Rio Branco, 219), o prédio do Supremo Tribunal Federal e o Teatro Municipal.

Além de prédios remanescentes do Império e do início da República, a herança preservada da vinda da Família Real Portuguesa há 200 anos ao Brasil inclui igrejas, arcos – os aquedutos traziam água do rio da Carioca para abastecer a cidade – e passeios públicos (o Passeio Público marcava a ligação do núcleo histórico à Lapa e à Glória).

A Família Real Portuguesa chegou ao Rio em 1808, marcando um rico período para os brasileiros. Abria-se uma nova fase de vida cosmopolita para a cidade, com o Brasil perdendo a condição de colônia e se tornando Reino Unido a Portugal e Algarves, d’ Aquém e d’ Além Mar, em África de Guiné, e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Pérsia e das Índias. Em 1815, o Rio de Janeiro passa a ser a Capital desse imenso e poderoso reino.

A chegada da família real portuguesa deixou também de herança histórias, como da rainha Dona Maria I, chamada de “ a rainha louca”, que se instalou no Convento do Carmo, enquanto o Príncipe Regente Dom João ficou no Palácio dos Vice-Reis, hoje Paço Imperial.

Pouco tempo depois, o monarca mudou-se para uma imensa chácara em São Cristovão, que foi então transformada em um grande Palácio, cercado por belíssimos parques e jardins. O conjunto é denominado Real Quinta da Boa Vista. No palácio, funciona hoje o Museu Nacional e, ocupando parte do vasto parque, encontra-se o Jardim Zoológico.

Para se locomover melhor entre a nova residência e a cidade, Dom João mandou aterrar grande faixa de terra alagada à margem do mangal (ou manguezal) e o caminho que surgiu ficou conhecido pelo nome de Aterrado.

Para estimular o desenvolvimento ao longo do Caminho do Aterrado foi concedida isenção de impostos durante dez anos para residências de dois pavimentos ou de cinco ou mais portas e janelas que ali se construíssem. Em pouco tempo uma ocupação urbana entre o Centro e a Quinta deu origem à chamada Cidade Nova, onde hoje se encontra instalada a sede da Administração Municipal.

Sob a regência do príncipe e depois rei Dom João, a cidade só teve a ganhar. Entre os grandes empreendimentos de sua gestão, citam-se: abertura dos portos brasileiros ao livre trânsito e comércio das nações amigas (1808); a Real Fábrica de Pólvora, à margem da lagoa Rodrigo de Freitas (1808); a Imprensa Régia (1808); fundação do Banco do Brasil (1808); a Real Academia dos Guardas-Marinha (1808), depois denominada Escola Naval (1886), hoje instalada na Ilha de Villegaignon; a escola Anatômica, Cirúrgica e Médica (1808), atual Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro; o Real Horto Botânico (1809), atual Jardim Botânico; a real Academia Militar (1810), em edifício que ainda hoje existe no Largo de São Francisco, atual Escola Politécnica; a Biblioteca Real (1811), com o acervo que mandou trazer de Lisboa, hoje instalada na avenida Rio Branco e considerada a maior da América Latina e a oitava do mundo; e o teatro Real de São João (1813), hoje Teatro João Caetano.

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Os artistas e o neoclássico

Como Dom João contratou uma missão artística francesa para dar uma nova cara ao Rio, o grupo chegou em 1816 e dele faziam parte, entre outros, os irmãos Taunay, o escultor Zeferino Ferrez, o pintor Jean Baptiste Debret e o arquiteto Auguste Henry Victor Frandjean de Montigny). Em pouco tempo a cidade se encheu de belíssimos palácios neoclássicos e obras de arte.

Obras que ainda hoje podem ser apreciadas por quem vai o Rio e quer, além das praias, conhecer mais a sua rica história. Só para citar alguns: Praça do Comércio (1820), atual Centro Cultural Casa França-Brasil, na rua Visconde de Itaboraí; Solar da Marquesa de Santos (1824-1827), na avenida Dom Pedro II, São Cristóvão, hoje Museu do Primeiro Reinado; Palácio Imperial (1831), na Quinta da Boa Vista, São Cristóvão, hoje Museu Nacional; Santa Casa de Misericórdia (1840), na rua Santa Luzia, Centro; e o Hospício Pedro II (1842-1852), na Urca, um dos melhores exemplares da arquitetura neoclássica no País.

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