Pesca & Lazer

História de pescador: Sonho de pescador


| Tempo de leitura: 2 min

Certa noite eu fui dormir, estava muito cansado

Mal preparei minha cama e meu pijama trocado

Deitei fui adormecendo com o corpo mal arrumado

No sono estava sonhando ali passei maus bocados

Acordei muito tristonho por saber que aquele sonho

Era coisa do passado

Sonhei que no dia-a-dia eu vivia muito apertado

Tinha filhos pra criar pois era um homem casado

Pra piorar minha vida eu fiquei desempregado

Fugindo da depressão tive um plano bem bolado

Peguei anzol, vara e facão fui pescar num ribeirão conhecido e afamado.

Cheguei na beira do rio bem antes do escurecer

Era um lugar tão bonito que nem dá pra descrever

A água era pura e limpa que se podia beber

Cipós pendentes das árvores com o vento sempre a mexer

Da mata bem preservada vi frutas precipitadas

E muitos peixes a comer

Usei uns paus pontiagudos pra demarcar um espaço

Estendi um encerado pra proteger do mormaço

Com fubá, farinha e água massinha que eu mesmo faço

Fui pescando lambaris jogando dentro de um saco

Sozinho ali no barranco o meu sossego foi tanto

Quase fui por água abaixo.

Nem bem o sol se escondeu por de traz do rio batalha

Ao recobrar os sentidos vi a mata envolto em mortalha

Vi que nas copas das arvores pousava um bando de ‘graias’

Como estava escurecendo voltei usar minhas traias

Acendi o lampião e fiz um fogo no chão

Fiquei firme na tocaia

Com a fumaça em meus olhos, clarão do fogo e o calor

Fui revirando na cama quase sofrendo um torpor

Minha mulher vendo aquilo mi sacudiu e me acordou

Sentei na cama assustado minha mulher me abraçou

Acordei desenxabido com nossos rios poluídos sem peixe e sem pescador.

Lázaro Carneiro é pescador e contador de histórias

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