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Afinal, quem é o aniversariante?


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Uma forma maravilhosa de eu mergulhar no verdadeiro clima natalino, foi comparecer, no dia 17 de dezembro, às 20h30, ao Automóvel Club para assistir ao evento “Canto & Poesia” promovido pela Sociedade Amigos da Cultura (SAC) com apresentação do Grupo Expressão Poética e dos coros Tom Maior e Educação, que tiveram como referência o Natal. Todas as apresentações mereceram intensos aplausos. Na relação dos participantes, constava o meu particular amigo e poeta Luiz Vítor Martinelo, que brindou os presentes com a sua poesia “Presépio”. Nos versos finais, ele surpreendeu a todos, quando, declamando e encenando, dirige-se até um presépio armado no centro do salão, retira da manjedoura o menino Jesus e coloca em seu lugar o Papai Noel. Neste momento, notou-se na platéia uma certa indignação não explícita em gestos, mas interiormente, creio eu. Julguei o meu amigo e poeta irreverente, mas verdadeiro, pois é assim que temos agido todos os anos no Natal. Substituímos o “Ser”, que é o caminho, a verdade e a vida pelo “Ter”, representante do consumismo e até do ateísmo.

Para muita gente não faz diferença que o Papai Noel tenha tomado o lugar do menino Jesus. O Natal está virando sinônimo de comprar e gastar, de comer e beber, de presentear o que não se pode pagar e de receber aquilo de que não se precisa. Cresce, cada dia mais, o exército dos consumidores, a grande massa de manobra à disposição do deus-mercado ou deus-consumo.

De nada adianta encher a casa de pisca-piscas coloridos, bebidas importadas, comidas variadas, se a vida continua opaca, seca e sem gosto. Muito menos tomar a direção dos “shoppings” se falta um sentido para a vida... O Natal é um presente de Deus para a humanidade, momento de reunir a família em torno da “mesa” da fraternidade, da esperança e do amor, tornando-se tão grandioso e fantástico que a dimensão humana se enriquece e os valores cristãos ganham vida. Alguns nem celebram mais o Natal. Preferem o Papai Noel, esquecendo-se de que, hoje, o aniversariante é , de fato, o Menino Jesus. Vamos ter, então, um Natal com o aniversariante, Jesus, ou com o Papai Noel? Vivamos a esperança natalina de modo real, buscando o sentido genuíno da festa cristã, libertos das cadeias alienantes do mercado e da propaganda. Caro amigo e poeta Luiz Vitor Martinelo , obrigado pela sua metafórica e sincera poesia “Presépio”, quando você revela a nós, hipócritas, quem é o verdadeiro aniversariante.

Que tenham todos os leitores um santo e iluminado Natal junto ao verdadeiro aniversariante.

O autor, professor Gino Crês, é colaborador de Opinião

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