Geral

Com as festas, reciclagem cresce 20%

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 4 min

O que fazer com as embalagens de presentes, caixas de papelão, garrafas e latinhas de refrigerante que aumentam nessa época de festa? Separar para a coleta seletiva ou entregar para um dos 400 catadores de lixo que trabalham pelas ruas de Bauru é uma alternativa.

Segundo dados levantados pelo JC e confirmados pelo secretário municipal de Meio Ambiente, Rodrigo Agostinho, o lixo recolhido na cidade nessa época aumenta em torno de 20%. Por dia, Bauru produz cerca de 300 toneladas de lixo, sendo que um terço de todo o material - cerca de 100 toneladas - é destinado para a reciclagem e o restante, depositado no aterro sanitário.

Dar a destinação correta ao lixo leva a cidade a economizar muito dinheiro - e a natureza agradece. Segundo Agostinho, é preciso ficar alerta ao fato de que muitos materiais, como o lixo produzido pelas pessoas, ficarão “para a eternidade” na natureza. O plástico, por exemplo, é um deles. O secretário frisa que, na natureza, não existe nada que se alimente de plástico, portanto todo o material descartado de forma incorreta ficará para sempre poluindo o solo.

“A fralda utilizada por nós quando pequenos, por exemplo, dispensada de forma incorreta estará na natureza por milhares de anos”, avisa Agostinho.

Segundo Marina Carboni, diretora do Departamento de Ações Ambientais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), infelizmente as pessoas ainda não têm o hábito de selecionar em casa o que é lixo reciclável. “Agora, nessa época de festas, as pessoas separam mais os materiais, as embalagens grandes, os pacotes, tudo chega separado para a coleta”, conta Marina.

De acordo com a diretora, da mesma forma que o lixo reciclável aumenta na cidade, o número de catadores também é maior. Agostinho lembra que, por mês, os catadores que trabalham nas ruas de Bauru, chegam a ganhar cerca de R$ 500,00.

“Tem catador mais esforçado que consegue muito mais, a renda varia de acordo com o esforço e com o bairro em que ele realiza a coleta”, explica o secretário. Segundo ele, há catador em Bauru que fica sabendo em que bairro vai acontecer a coleta seletiva da prefeitura e se antecipa aos funcionários. “Não tem problema nenhum, o importante é que o lixo que pode ser reciclado não seja depositado na natureza. Todo plásticos reciclado significa menos extração de petróleo no mundo. Quanto mais alumínio for recolhido para reciclagem, menos minério é extraído da natureza”, cita o secretário.

Agostinho lembra que se as pessoas não desenvolverem o hábito de separar o lixo, em pouco tempo, o aterro sanitário de Bauru terá sua capacidade esgotada. Ele explica que hoje, para a construção de novo aterro, o Município teria que investir cerca de R$ 6 milhões, dinheiro que sairia inevitavelmente do bolso do contribuinte.

Empenho

O secretário lembra que neste ano foram distribuídos milhares de panfletos orientando a população de como fazer a seleção dos materiais recicláveis e divulgando dia e horário da coleta nos bairros da cidade. “Temos também uma grande equipe de estagiários e monitores visitando residências para explicar e esclarecer as dúvidas das pessoas sobre como proceder na separação do lixo reciclável do que deve ir para o aterro”, conta Agostinho.

A diretora do Departamento de Ações Ambientais afirma que para o próximo ano, a Semma irá disponibilizar em um site na Internet, diversas informações para a população. O site “Bauru Sustentável” deverá entrar no ar ainda no início do ano.

____________________

Sobrevivência

A maior parte dos catadores de materiais recicláveis da cidade retiram o sustento da família com o lixo que recolhem pelas ruas. Fátima de Souza, 42 anos, anda pelas ruas de Bauru há 10 anos, recolhendo todo tipo de material reciclável.

“A gente vende diariamente o que é recolhido para os depósitos, dá para ganhar de R$ 10,00 a R$ 15,00, vai depender de quanto a gente recolher”, conta.

Segundo a catadora, em dezembro, os preços pagos pelo materiais sofreram uma redução devido à grande oferta. “Quanto mais tem, menos se paga”, afirma.

O casal João Paulo Rodrigues e Ivone Rodrigues de Souza recolhem material reciclável pela rua há cerca de um ano. “Somos só nós dois, daqui a gente tira o nosso sustento”, contam. Com o carrinho cheio, ele diz que consegue fazer duas viagens por dia e ganha entre R$ 15,00 e R$ 20,00.

____________________

Tempo de decomposição de materiais:

Latas de aço - 10 anos

Alumínio - 200 a 500 anos

Embalagens Longa Vida - Até 100 anos (alumínio)

Embalagens PET - Mais de 100 anos

Isopor - Indeterminado

Papel e papelão - Cerca de 6 meses

Plásticos (embalagens e equipamentos) - Até 450 anos

Pneus - Indeterminado

Sacos e sacolas plásticas - Mais de 100 anos

Vidros - indeterminado

Fonte: www.natureba.com.br

Comentários

Comentários