Polícia

Polícia ouvirá acusados em janeiro

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A Polícia Civil de Bauru vai realizar os interrogatórios dos seis policiais militares envolvidos na morte do menor Carlos Rodrigues Júnior, que sofreu parada cardíaca após receber 30 choques em operação da PM, após os feriados deste final de ano. Conforme o Delegado Seccional de Polícia, Doniseti José Pinezi, não haverá tempo hábil para a realização da medida.

Depois do feriado desta terça-feira de Natal, a polícia teria apenas a quinta e sexta-feira para encaminhar o caso. “Entre o Natal e o Ano Novo não haverá condições de encaminhar as providências no inquérito e realizar os interrogatórios. Nossa previsão é de que seja preciso pedir à Polícia Militar para apresentar os policiais em Bauru para que o interrogatório ocorra aqui. Vamos decidir isso e encaminhar as providências nos primeiros dias do Ano Novo”, conta Pinezi.

Conforme laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Bauru, o adolescente, suspeito de roubar uma moto, morreu no último dia 15 após receber 30 choques durante uma ação da Polícia Militar em sua casa. Os policiais negam a acusação e afirmam que o levaram ao Pronto-Socorro Municipal após perceberem que ele estava pálido e com salivação.

A Polícia Civil recebeu a responsabilidade pelo inquérito do caso na sexta-feira passada, depois de a Justiça Militar julgar-se incompetente para julgá-lo. O delegado Marcelo Haddad preside a investigação.

A primeira medida foi o pedido da prisão preventiva dos acusados, concedida pela Justiça. Os policiais suspeitos também serão alvo de um procedimento administrativo da Polícia Militar para apurar sua conduta no episódio.

Repercussão

Anteontem, representantes da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados estiveram em Bauru para se reunir com autoridades locais e familiares do adolescente morto. A comissão formada pelos deputados Paulo Teixeira (PT-SP), Janete Rocha Pietá (PT-SP) e Sérgio Antônio Nechar (PV-SP) ouviram as autoridades policiais e representante do Ministério Público (MP) a respeito do caso. O encontro foi na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Bauru.

Para a comissão, o comando local da PM tomou providências rápidas ao prender os acusados e abrir investigações. Apesar disso, os deputados federais querem averiguar se o uso de tortura não estava inserida como “prática cultural dentro das operações da polícia militar”.

O comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar local, José Humberto Nardo, descarta a hipótese levantada pelos parlamentares e diz não existirem outras suspeitas de prática de tortura por policiais militares na cidade.

A repercussão da morte do menor causa reações diversas na comunidade. De um lado, leitores condenam a forma como agiram os policiais no episódio. De outro, estão bauruenses que condenam a prática da tortura mas advertem para o risco de “criminalizar” genericamente a ação repressiva da polícia.

Uma pessoa que pediu para não se identificar ligou para a Redação do JC, ontem, lamentando que o episódio tenha exposto mais o erro dos policiais do que a suspeita de envolvimento em crime existente contra o menor. Segundo a leitora, a exposição do caso fez com que a família de um dos policiais deixasse a cidade. Os seis policiais cumprem prisão temporária na Capital.

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