Tribuna do Leitor

Até quando nossas crianças serão abandonadas?


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No início dos anos 30, em seu "Capitães da Areia", o imortal baiano Jorge Amado alertava as autoridades constituídas sobre o crescente número de menores infratores nas ruas de sua Salvador. Quando Pelé assinalou o seu milésimo gol, foi chamado de demagogo, populista, por pedir atenção para as criancinhas abandonadas. Na década de 70, Mário Américo, o massagista da Seleção Brasileira, no exercício de cargo público, alertou o governo para que se não fossem construídas quadras esportivas e culturais, com a finalidade de serem retiradas as crianças das ruas, muito seria gasto no futuro com a construção de Unidades da Febem.

Certos estavam Jorge Amado, Pelé e Mário Américo. Os governantes da época nada fizeram e no caso do massagista ainda o catalogaram nos arquivos do antigo Dops, considerando sua proposta como atentatória à Segurança Nacional e, conseqüentemente, subversiva.

O tempo passou, e os atuais governos gastam verdadeiras fortunas na construção de unidades prisionais para abrigar menores infratores que, na realidade, funcionam como cursos intensivos para o ingresso na criminalidade. Não vemos ou, ao menos, não percebemos o investimento do Estado naquilo que propunha o saudoso Mário Américo. Como diz o povo, em sua peculiar sabedoria, nada se faz para exterminar o mal pela raiz.

Em Bauru, na segunda metade dos anos 60, o então prefeito Alcides Franciscato criou a Casa do Pequeno Trabalhador, que inclusive mantinha as suas expensas.E de lá para cá?

Pouco foi realizado no sentido de ser um dado um oficio ou mesmo ocupar o tempo ocioso das crianças carentes.

Enquanto prefeito de São Vicente, o hoje deputado federal Márcio França, criou dois projetos interessantes: A creche noturna com a finalidade de atender os filhos daquelas mães que trabalham, não importando a profissão, neste período. Sucesso total.

Outro projeto de sucesso é o implantado para jovens no aguardo da Carteira de Reservista. Aulas de informática, suplência, educação física, atendimento médico-odontólogico e trabalho de apoio à guarda municipal. Se os jovens forem assíduos e comportados, ganham de brinde no final do treinamento a bicicleta que os conduziu durante o ano. Estava esquecendo, além dos treinamentos e cursos gratuitos, os jovens ainda recebem uma remuneração mensal. Pequena e que se torna de grande valia para o sustento da família.

A morte do Juninho e do motociclista no Núcleo Mary Dota e a morte do adolescente pescador em Duartina afloraram essas recordações em nossa mente.

Queremos Médico de Família e não tortura a domicílio. Queremos para nossa Bauru homens públicos com o espírito despojado de Alcides Franciscato e de Márcio França.

Sonhamos com uma Bauru efetivamente mais justa e digna de se viver. Na prática e não nos discursos eleitorais.

Antonio Pedroso Júnior - chineloneles@hotmail.com

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