A possível terceirização da Funerária Municipal gerou muitos comentários. O defensor das leis de nossa roda comentou que geralmente as leis são boas, o homem é que as deturpa.
- Veja o Seguro Desemprego! – acrescentou ele - Quer coisa mais típica de primeiro mundo? E, no entanto, o que acontece? Está produzindo uma geração de vagabundos. Que só trabalham meio período por ano!
- É isso mesmo! – diz outro – Mas o pior é que esse assunto da Funerária me levou a pensar no patrimônio que deixarei para meus filhos.
- Não se preocupe com isso, pois o filósofo Marco Aurélio dizia que Alexandre, o Grande, teve o mesmo fim que o seu arrieiro.
- Mas por causa disso não somos obrigados a morrer pobres, né? – argumentou um terceiro.
O religioso do grupo citou, então, o padre Manuel Bernardes:
- “Quem cuida dos bens que vai deixar, cuida do patrimônio alheio e não do seu!”
- Olhe que esse padre estava certo – concluiu, filosoficamente, um quarto – porque realmente do mundo nada se leva. E as funerárias parecem entender muito bem desse assunto.
- Por que você diz isso?
- Ora, nunca se viu um caixão de defunto com gavetas, oras!
Rui Bertoti