Brasília - Indicado pelo PMDB para se tornar o novo ministro de Minas e Energia, o senador Edison Lobão (MA) disse anteontem acreditar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai anunciar o nome do peemedebista que vai ocupar a pasta até 10 de janeiro. Apesar de negar a sua indicação, Lobão adotou o discurso de ministro ao comentar o crescimento econômico do país.
“O Brasil vai crescer neste ano mais de 5%, o que já é um bom crescimento. E crescendo sob ordem. Se Deus quiser, não haverá nenhum apagão energético e nem de outra natureza nesse período para que o Brasil possa avançar como é de seu destino”, disse. Ao ser questionado se espera ser indicado para o ministério por já adotar o discurso de titular da pasta, Lobão desconversou. “Essa decisão de ministério pertence ao presidente da República e ao PMDB. O PMDB é um partido que apóia integralmente o presidente Lula, que tem dito do seu desejo da presença do PMDB na formação do seu governo”, afirmou. Na opinião de Lobão, o partido tem “muitos quadros da melhor qualificação” capazes de ocupar o comando do Ministério de Minas e Energia. “Talvez seja o partido mais rico nesses valores. Terá muitos nomes para indicar se o presidente pedir indicações.”
O senador disse, porém, que Lula terá autonomia para decidir o sucessor de Silas Rondeau. “A prudência nunca faz mal, o presidente sabe o que está fazendo. O presidente decide com autonomia como é o seu dever. O ministério perdeu o titular, mas não há nenhuma reclamação. O ministério é do presidente, não é do partido.”
Na semana passada, Lula prometeu à cúpula do PMDB solucionar as “pendências” do partido em janeiro de 2008, especialmente no que diz respeito à indicação de Lobão para o ministério. O presidente teria fixado a segunda semana de janeiro como prazo para resolver a questão. Lula assegurou aos peemedebistas que deixará o comando da pasta com a bancada do partido no Senado.
Desde que o ex-ministro Silas Rondeau deixou o cargo por suspeita de pagamento de propina, o PMDB reivindica a retomada da pasta. O secretário-executivo do ministério, Nelson Hubner, ocupa de forma interina o cargo até que Lula indique o substituto definitivo de Rondeau, que foi indicado pela bancada do PMDB no Senado.