Havana - A saúde do ditador cubano Fidel Castro, 81 anos, é boa o suficiente para que ele seja candidato nas eleições parlamentares de 20 de janeiro, disse ontem seu irmão Raúl, que assumiu o poder interinamente em Cuba em 2006.
Na semana passada, o ditador havia dito em uma mensagem escrita à TV estatal não ter apego ao poder e que não pretendia obstruir novas lideranças cubanas, o que foi interpretado como uma primeira sinalização de que poderia deixar a Presidência. Mas as declarações de ontem de seu irmão podem indicar que Fidel - afastado do poder desde julho de 2006, quando se submeteu a uma cirurgia no intestino- não pretende se aposentar.
“Ele tem uma mente poderosa, uma mente saudável. Está em pleno uso de suas faculdades mentais e, claro, tem algumas pequenas limitações físicas devido ao problema que teve”, disse Raúl na TV estatal. “Ele se exercita por quase duas horas por dia e recuperou bastante peso e massa muscular.”
Raúl reiterou que Fidel tem participado das decisões do país. “Consultamos Fidel sobre os assuntos principais, por isso é que nós, líderes do partido (Comunista), defendemos seu direito de concorrer novamente como deputado da Assembléia Nacional como um primeiro passo.”
No início do mês, os conselheiros municipais de Santiago de Cuba incluíram o nome de Fidel entre os candidatos para as eleições de janeiro, um passo necessário para que ele possa ser mantido em cargos de poder.
Apesar de a saúde do ditador ser segredo de Estado e de ele não ter feito aparições públicas em 18 meses - limitando-se a raras imagens na TV -, Fidel oficialmente se manteve na liderança do órgão supremo de governo, o Conselho de Estado.