Os seis policiais militares acusados de matar o adolescente Carlos Rodrigues Júnior, 15 anos, acusado de roubo, no último dia 15 durante uma abordagem policial na casa da vítima, no Núcleo Mary Dota, continuam presos. Eles estão detidos no Presídio Militar Romão Gomes, na Capital, desde o dia do crime.
Eles - tenente Roger Marcel Vitiver Soares de Souza, 31 anos, cabo Gerson Gonzaga da Silva, 42 anos, soldados Emerson Ferreira, 35 anos, Ricardo Ottaviani, 34 anos, Maurício Augusto Delasta, 33 anos, e Juliano Arcangelo Bonini, 34 ano - passaram o Natal na prisão e deverão permanecer presos também no Ano Novo.
Na última sexta-feira, a Polícia Civil obteve na Justiça a prisão temporária dos policiais por 30 dias, para a conclusão do inquérito. A previsão é que eles prestem depoimento no início do ano.
Também está apreendido o adolescente de 17 anos acusado de roubar uma motocicleta juntamente com Rodrigues Júnior. O menor continua detido provisoriamente no Núcleo de Atendimento Integrado (NAI). Ele foi apreendido na última sexta-feira, após averiguação feita pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG). O caso do roubo será apurado pela Delegacia da Infância e Juventude (Diju), que deverá investigar a participação do rapaz em outros roubos.
De acordo com o delegado titular da DIG, Abel Cortez, as investigações sobre o co-autor do assalto começaram com apenas uma informação: a descrição do adolescente, fornecida pela vítima do roubo. Rodrigues Júnior e o colega teriam solicitado dois mototaxistas no Centro. Durante a corrida, na região do Jardim Pagani, eles apontaram uma arma e anunciaram o assalto. A dupla de adolescentes teria fugido levando uma das motocicletas e as chaves do outro veículo.
A vítima do roubo reconheceu Rodrigues Júnior como um dos autores e na última sexta-feira, também confirmou a participação do segundo adolescente, depois de reconhecimento formal. De acordo com Cortez, o rapaz detido confessou o assalto e informou que o colega estaria com a arma durante o crime.
Segundo o delegado, o jovem - que morava no mesmo bairro de Rodrigues Júnior -, informou que a intenção da dupla era repartir o dinheiro obtido com o desmanche e venda das peças da motocicleta.
Débora, irmã do adolescente morto pelos policiais, afirmou que não conhecia o adolescente envolvido no roubo da motocicleta e questiona a afirmação do rapaz. “Eu quero que a polícia apure tudo certinho porque o meu irmão está morto e não pode mais se defender destas afirmações”, diz.
Indenização
A irmã de Carlos Rodrigues Júnior conta que ainda não foi comunicada oficialmente sobre a decisão do governador José Serra de pagar indenização à família por conta da morte do adolescente. “Ainda não sabemos o que pensar sobre isso porque o que queremos agora é justiça. Toda esta situação só está trazendo muito sofrimento para a gente”, afirma.
Em decreto publicado na edição do último sábado do Diário Oficial do Estado de São Paulo, o governo reconhece que a ação dos policiais militares foi ilegal, classificando-a como deplorável e institui um grupo de trabalho que terá 30 dias para definir os critérios e o valor da indenização. “É o mínimo que se pode fazer em uma situação de tragédia como essa”, afirmou Serra ao anunciar a medida.
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Relembre o caso
Na madrugada do último dia 15, seis policiais militares foram à casa do adolescente Carlos Rodrigues Júnior, 15 anos, no Mary Dota, suspeito de, pouco antes, ter participado de um assalto no Centro. Ele e mais um rapaz teriam roubado uma motocicleta.
Os seis policiais entraram na casa da família, onde estavam o adolescente, a mãe e uma irmã. O jovem ficou trancado no quarto na companhia de policiais. A suspeita é que os policiais torturaram o jovem até a morte. De acordo com o Instituto Médico Legal, o rapaz levou 30 choques elétricos, sendo dois fatais. Os seis policiais que trabalharam na ocorrência foram presos em flagrante.
A motocicleta roubada foi encontrada no quintal do adolescente e a vítima do roubo reconheceu o menor como autor do crime.