Bogotá - O governo colombiano autorizou ontem à tarde a proposta feita horas antes pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, para realizar um grande operação aérea de resgate de três seqüestrados pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). O assessor internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia, participará como observador da missão, que deverá ser realizada na sexta.
A proposta, batizada de “operação transparência” por Chávez, foi apresentada pela manhã em entrevista coletiva no Palácio Miraflores, em Caracas. Ao mesmo tempo, o vice-chanceler venezuelano Rodolfo Sanz entregava em Bogotá um documento com a solicitação. “Só falta a autorização do governo da Colômbia”, disse Chávez, que com um marcador nas mãos e anotando um mapa da região, explicou “a fórmula” que foi acordada até em pequenos detalhes com o comando das Farc.
O plano de Chávez - acordado com as Farc - consiste em enviar uma frota de aviões e helicópteros venezuelanos até Villavicencio, cerca de 100 km ao sul de Bogotá. Dali, uma aeronave voaria a um local secreto indicado pela guerrilha para buscar os reféns. Então, a assessora da ex-candidata à Presidência Ingrid Betancourt, Clara Rojas, seu filho Emmanuel e a ex-deputada Consuelo González de Perdomo seriam levados à Venezuela.
No início da tarde, o chanceler colombiano, Fernando Araújo, deu o aval à proposta de Chávez, em carta dirigida ao colega venezuelano, Nicolás Maduro.
Questionado por um jornalista colombiano sobre por que os reféns não seriam levados diretamente a Bogotá em vez da Venezuela, Chávez disse que é uma condição das Farc.
“Eles insistem que querem entregar essas pessoas ao governo da Venezuela. E o governo da Venezuela não pode ser transladado ao território colombiano. No máximo, vou a um ponto da fronteira'', disse. Nos últimos dias, Chávez fez contatos com os homólogos de Brasil, França, Cuba, Bolívia, Argentina e Equador.
Segundo o mandatário venezuelano, todos os governos apoiaram o plano e designaram enviados para acompanhar a operação. O anúncio de libertação de três reféns foi feito no último dia 18 pelas Farc como um ato de "desagravo'' a Chávez.