No balanço do ano de 2007 realizado pelo próprio prefeito Tuga Angerami ontem, em entrevista coletiva, não faltou a contextualização sobre a herança herdada, a avaliação de que sua gestão preferiu tomar medidas impopulares e a observação de que o sucessor não terá vida fácil.
A julgar pela situação atual, onde o valor dos compromissos fixos mensais gera saldo bastante reduzido para investimento livre no orçamento de 2008, a frase lançada por Tuga Angerami para o sucessor tem de ser considerada como aviso: “próximo prefeito não terá mar de rosa.
Patrimônio eleitoral
O chefe do Executivo comentou que abriu mão de seu patrimônio eleitoral para enfrentar problemas no início da gestão em 2005. “Fizemos o que tinha de ser feito e foi preciso tomar os secretário de coragem para enfrentar medidas impopulares. A máquina inchada, consumindo 60% para a folha com receita, sucateamento generalizado e situação de pré-informatização aliado a restos a pagar de mais de R$ 35 milhões só de dívida vencida de pagamento imediato engessaram o primeiro ano e trouxeram problemas”, abordou.
Criatividade
Ao comentar sobre alternativas para resolver problemas, Tuga demonstrou que não gostou da cobrança vinda das ruas por uso de “criatividade” na gestão. “Ás vezes me cobram mais criatividade para governar, mas criatividade para tirar algo do nada. O Poupatempo que é um programa do Estado foi um desafio enfrentado, que exigiu treinamento para atender a um novo padrão de atendimento ao público que não existia na prefeitura e fizemos”, contou.
Devedores
Em sua avaliação, a cobrança de devedores era considerado “um compromisso menor e nós mudamos isso”, diz referindo-se à implantação do processo de informatização com a promessa de realizar ajuizamento eletrônico de ações de execução fiscal em 2008. “Nós estamos agindo para mudar também o comportamento cultural da população diante dos compromissos não saudados com o Executivo. Acabamos de ajuizar 35 mil ações fiscais e vamos implantar o ajuizamento eletrônico em 2008. O controle virtual dos processos de execução vai se iniciar e o cartório virtual vai imprimir agilidade às ações”, anunciou.
Sobre a extensão do programa de informatização às escolas, Tuga mencionou que a intenção é fazer com que “os pais façam matrícula pela internet. Mas para isso precisamos concluir a integração física entre as unidades, o que já está adiantado”.
Informatização
Em relação à integração digital das unidades básicas de saúde o prefeito resiste em reconhecer que o compromisso, lançado por ele em reunião pública na Câmara Municipal no final de 2005, atrasou e muito. A dificuldade, porém, segundo Angerami, está no treinamento de pessoal. “Temos os equipamentos adquiridos e programa piloto desenvolvido com programa sendo testado. Mas para implantar isso tudo em toda a rede precisamos treinar pessoas, capacitar para que os servidores coloquem em prática o que foi implantado e isso demanda tempo”, abordou.
Carência na Saúde
Já quando o assunto é carência no atendimento de saúde, apesar das contratações lançadas e dos aumentos nos ganhos dos profissionais, sobretudo das unidades básicas, o prefeito argumenta que existem dois fatores gerando obstáculo. Um é a falta de profissionais para algumas especialidades, como pediatria. Outro é a resistência dos profissionais que atuam na prefeitura em realizar as jornadas de trabalho.
“A exigência do cumprimento de horário é problema, mas o enfrentamos e instalamos até ponto digital. De outro lado temos dificuldades em contratar porque os profissionais do mercado têm, em sua maioria, problemas para se adequar à jornada exigida. Não enfrentamos mais problemas com salários. O praticado em Bauru está dentro da média do existente nas cidades do mesmo porte”, garantiu.