Bairros

Cansados de promessas, moradores estão descrentes

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

Amanhã, quando os relógios marcarem meia-noite e o céu se iluminar com os fogos de artifício, milhões de pessoas no Brasil inteiro vão celebrar a chegada de 2008. Como é de costume, quando um novo ano começa, as pessoas tendem a esperar mais do que no ano anterior. Na periferia de Bauru não é diferente. Existe a expectativa que a situação melhore, mas, por outro lado, também há uma certa desconfiança, marcada por anos de promessas não cumpridas e descrença em quem deveria ser representante da comunidade.

Na Pousada da Esperança, os moradores cansaram de esperar e estão repletos de desconfiança em relação ao ano que se aproxima. “A gente sempre espera, mas está difícil de acreditar em alguma coisa”, afirma a auxiliar de serviços gerais Lucilene Franco. Para ela, a precariedade do bairro já se arrasta há tantos anos que não será em apenas um que alguma coisa vai mudar.

Além do asfalto, a reivindicação comum a vários bairros, Lucilene destaca como prioridades para 2008 a resolução dos problemas de falta de água e luz. Segundo ela, a falta de água e energia elétrica é constante. “Se chover no Japão, cortam a energia do bairro”, reclama.

Já o pedreiro Paulo Ribeiro tem a expectativa que em 2008 a situação das escolas, postos de saúde e transporte recebam cuidados especiais da prefeitura. Na questão dos transportes, Ribeiro alega que os horários de ônibus são confusos e não há condução na hora de maior movimento. Lucilene faz coro com o pedreiro. “Nos horários de pico quase não tem ônibus e no meio do dia, quando tem menos passageiros eles colocam mais carros”, ressalta.

Se Lucilene Franco e Paulo Ribeiro reclamam do descaso, mas ainda mantêm alguma expectativa para 2008, o caso dos aposentados Nelson Prestes e Veralice Pereira é diferente. Cansados de esperar por melhorias na Pousada, ambos desistiram de ter alguma perspectiva positiva em relação ao bairro. “A gente não espera mais nada de ninguém, porque, pelo jeito, vai continuar como está”, enfatiza Prestes.

A queixa é generalizada contra os políticos. Lembrando que em 2008 haverá eleições para prefeito e vereadores, Prestes e Veralice já sabem que os candidatos vão aparecer no bairro novamente, mas desta vez o discurso pronto dos políticos não deve cativar os eleitores. “Todo ano de eleição eles aparecem aqui, fazem discurso e prometem. Passou a eleição, você não vê mais ninguém”, comenta Veralice.

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