Cultura

Ao pé da letra


| Tempo de leitura: 4 min

e sofrimento emocional não passam de um sinal

de que você está indo contra suas vontades

e isto se chama autenticidade...

Ame-se e pare de desejar que sua vida

seja diferente e comece a ver que muito

do que acontece ao seu redor contribui

para seu crescimento e isto se chama amadurecimento...

Ame-se e perceba como é ofensivo

forçar alguma situação, ou alguém apenas

para realizar o que deseja, mesmo sabendo

que não é o momento ou que aquela pessoa

não esteja preparada para tanto,

e isto se chama respeito...

Ame-se e comece a se livrar de tudo

o que não lhe for saudável,

de qualquer coisa que o coloque para baixo

e aprenda que isso não é egoísmo,

que isto se chama tão somente amor próprio...

Ame-se e não tenha vergonha de seu tempo livre,

de se envolver com grandes planos,

faça o que acha certo, o que gosta,

no seu próprio ritmo e descubra

que isto se chama simplicidade....

Ame-se e desista de querer ter sempre razão

e com isso você vai errar muito menos

e entender que isto se chama humildade...

Ame-se e deixe de reviver o passado,

de se preocupar com o futuro

e se mantenha no presente

que é onde a vida realmente acontece,

encare o dia a dia, enfrente a realidade,

e saiba que isto se chama atitude...

vida em felicidade, vida em plenitude...

Ame-se e não feche suas portas,

estenda suas mãos, espalhe amor

e... Feliz 2008. Carlos Iunes

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O RETIRANTE

Amedrontei-me no cenário entardecido

e suas voláteis calcitas efervescentes evaporei

em febre amarela interrogativa,

cruzando a zebra asfáltica,

entre o verde

da antiga e primogênita

praça Rui Barbosa

e a metade construtiva

tencionando em linhas vermelhas a paisagem.

Ao longe

no Feudo capitalista do Grande Irmão

a propósito das pedras de desenhos quadriláteros,

Portuguesas nacionais,

as falas portáteis tomavam quase todo elenco

que tinham suas próprias câmeras

na palma de suas próprias mãos,

conversavam com elas e elas filmavam.

Amedrontei-me, de fato.

Aquelas mãos, próprias mãos,

não abanavam

nem calor, nem cumprimento,

diziam à sua extensão algo

doutrinando os olhos

a uma reta espásmica a mim

que no meio do palco

não era filmado.(Barbosa Junior)

Dio - Barbosa Junior

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A rosa e o mar

Andando sozinha na praia

Vi uma rosa, boiando no mar

Pareceu; me sorrir discreta

Tentando fazer-me pensar...

Em como, após a tempestade,

Pudesse ainda enfeitar,

Quem lhe roubou todo perfume

E ainda tentou lhe afogar.

Que sentimentos são esses,

impossíveis do mar afogar?

E a rosa mostrando-se amiga,

Em suas ondas continua a brincar?

Após o sol castigá-la o dia todo,

E o vento frio à noite lhe soprar,

Ela espera o amanhecer tão serena...

Em suas pétalas ver o dia clarear!

E andando pela praia tanto tempo,

Penso, se um dia irei alcançar,

Sentimentos assim tão nobres,

Quanto os da rosa pelo mar;

E me envergonho então, no momento,

Com o olhar preso a fitar...

O mar afogando a rosa,

E a rosa... enfeitando o mar.

Simonne Di Piero

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CHOVE

Chuva, chove suave,

Derrama sua lágrimas na natureza,

Molhe o mundo, molhe tudo.

Devolva a esperança,

Das terras áridas do meu sertão.

Deixe florir a natureza,

Transbordar rios e riachos.

Me enche de esperança, meu coração.

Corra pela floresta, pelas calçadas da vida,

Pelos vales e montanhas, em pranto;

No entanto não pare de encher

os corações da minha terra:

Com seu tilintar nas janelas da ilusão.

Corra pela estrada da vida,

Em busca do nada.

No entanto, é tudo que queremos,

Por um florir, o nascer e o crescer das árvores e frutas.

Bem longe, lá no meu sertão.

Betinho Meira

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NOSSA VIDA NOSSO MUNDO

Cada instante do tempo

Olhe pela janela do universo

Passando a vida inteira

Momentos suaves dos gestos

No mesmo compasso do pensamento

Sentir o calor do amor

Brotar no fundo azul do olhar

Sempre constante em cada vida

Mergulhar profundamente

no mar

Transcende da alma nua

Corre atrás da liberdade na rua

Do nosso mundo imundo

Sentir a saudade do aconchego

Sem traçado fica calado

O suplício imperdoável

Nos sentidos frios da noite

Esboça um sorriso mórbido

Flui a essência eterna

Ainda há de ver a paixão

Dar asas ao coração

Pousa incansável no ego

Carrega a tristeza ao infinito

Abre caminho do carinho

Tocando seu medo cego

Nesse mundo a vida é nossa.

(Sérgio Coelho – bandeirante do pensamento - séc. XXI)

Sérgio Coelho

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Em Meca-nografia!

Ao som das máquinas...

...move-se o tipo!

Móvel!

Para mover o mundo!

Move-se a máquina...

... de escrever!

Guarda-se a pena!

O tinteiro!

Bate! Bate!

Na tecla...

Da máquina...

...de escrever!

Move o tipo!

Que estava imóvel!

Move-se o tipo-móvel...

...a preencher o vazio!

Da folha em branco!

Samuel Congo da Costa é Poeta Negro em Itajaí

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