Economia & Negócios

Botucatuense assume instituto de economia em Mato Grosso

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 2 min

Gerenciar a economia de um Estado que possui a maior produção de soja e algodão do País, além de possuir o rótulo de maior produtor nacional de gado para exportação. Esse será o novo desafio profissional do engenheiro agrônomo Seneri Kernbeis Paludo. Nascido em Botucatu, ele foi criado em Avaré e Bauru, onde permaneceu durante toda adolescência antes de viajar para cursar faculdade.

Considerado atualmente como um dos nomes mais influentes no Brasil quando o assunto é economia agrícola, Paludo assumirá no próximo dia 7 o cargo de superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea) com a missão de coordenar o processo de reestruturação da entidade, que existe há dez anos, fazendo com que ela se firme como centro de referência de dados da agropecuária daquele Estado. Ele, no entanto, não estará sozinho no cargo. Responsável por coordenar uma equipe de 11 funcionários entre agrônomos, economistas, administradores de empresas e estagiários em cada uma dessas áreas, Paludo recrutou seu conterrâneo Thiago Matosinho Corrêa para a área de análise de projetos estratégicos do instituto. Eles já estudaram e trabalharam juntos.

Segundo Paludo, a expectativa para a safra no Mato Grosso é a melhor possível, “principalmente por causa de preços de commodities internacionais, tanto de soja, algodão e milho, quanto da pecuária”. Todos esses itens estão na pauta de exportação do Estado, um dos grandes responsáveis pelo superávit da balança comercial brasileira, que obteve crescimento na ordem de 5% em 2007 na comparação com o ano anterior.

Paludo afirma, no entanto, que não há como controlar o avanço dessas culturas no Mato Grosso, motivo de preocupação recente das autoridades paulistas em relação à cana-de-açúcar. “A economia diz que não há como controlar a oferta. Isso é questão de retorno e viabilidade. Não existe uma maneira econômica para evitar isso. Em algumas regiões de Goiás, por exemplo, a prefeitura local fez leis para impedir o avanço da área de cana.”

Área, no entanto, não é problema no Mato Grosso, com aproximadamente 8 milhões de hectares. O Estado trabalha com apenas um sexto de seu potencial total. “O potencial de crescimento é muito grande, diferente de Estados como Rio Grande do Sul, Paraná e até São Paulo”.

O município de Bauru não possui aptidão climática para a produção de grãos e produtos em larga escala. Para o agrônomo, a cidade poderia trabalhar explorando nichos de mercado, como ocorreu no passado com frutas, verduras e legumes em geral. “Vejo a cidade mais propensa para pequenas culturas, ao contrário do Mato Grosso”, afirma.

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