Ela é professora e não quis ter a identidade revelada. Estava em uma das agências da Caixa Econômica Federal ontem à tarde em busca de uma operação de penhor para liquidar uma dívida de aproximadamente R$ 300,00, oriunda do uso de cartão de crédito. Segundo ela, o dinheiro rápido foi a alternativa encontrada para a solução dos problemas. “É complicado pedir para a família, pois um conta para o outro”. Ela, que deixou de 30 a 40 gramas de ouro como garantia, realiza a prática há mais de dez anos.
De acordo com dados da Caixa Econômica Federal de Bauru, a instituição financeira recebe cerca de 500 pedidos mensais de penhor e micropenhor, cuja modalidade de empréstimo se destina a pessoas físicas. A garantia do banco é o bem apresentado pelo cliente, à base de ouro. Esta é a alternativa encontrada por muitas pessoas para driblar as dívidas, uma vez que não necessita de comprovação de renda e é disponível para maiores de 18 anos.
A gerente da Caixa Adriane dos Santos Rosa Silva explica que os contratos podem ser renovados por vários anos, desde que o cliente pague pelos juros da renovação. O valor mínimo de empréstimo é de R$ 300,00 e o máximo, de R$ 50 mil. “A maioria dos empréstimos é mesmo para a pessoa ter um dinheiro rápido e quitar dívidas”, explica.
O alto número de pedidos pode se explicado pelas taxas de juros, consideradas uma das menores do mercado: variam de 1,8% a 2,85% mensais. Já o empréstimo é limitado a 80% da avaliação da jóia que ficará com o banco. “Recebemos brincos, anéis e canetas como garantia”, explica.
Segundo a gerente, o perfil dos usuários dessa modalidade são mulheres de 30 a 60 anos, que perfazem 90% dos que optam pelo penhor, cujos valores de avaliação do bem são superiores a R$ 1 mil com taxa de juros a 2,85% - no micropenhor chega a R$ 1 mil de avaliação com taxa mensal de 1,8%.
Ela explica que se o usuário não apresentar condições de quitar a dívida, basta pagar a taxa de juros e renovar o contrato. Se a renovação não for feita em 30 dias do vencimento do contrato, o bem vai a leilão. Se a jóia for vendida, a dívida é quitada. “E se for vendida por um valor superior, é devolvido o excedente da dívida com o banco”, explica. “Mas normalmente a inadimplência é baixa, em torno de 10% do índice total dos contratos”, acrescenta.
Sem risco
De acordo com o economista Wagner Ismanhoto, do ponto de vista econômico não há riscos nas operações de penhor. “É uma alternativa interessante, uma vez que os juros são menores do que os praticados pelos cartões de crédito. Não há problema quitar uma dívida com juros altos e deixar outra com juros menores para (quitar) depois”, explica.
Ele alerta, no entanto, que o dinheiro deve ser bem aplicado. “Não adianta pegar esse valor e contrair novas dívidas”, pondera.