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Morre Wilson Canela aos 70 anos

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Wilson Canela, um dos comerciantes mais tradicionais de Bauru, morreu na manhã de ontem, aos 70 anos. Dono do Bar e Mercearia Canela, que durante 41 anos funcionou na esquina das ruas Araújo Leite com Padre João, nos Altos da Cidade, ele tinha fechado as portas do estabelecimento há pouco menos de um ano para tratar da saúde. Na semana passada, Canela confessou à esposa Maria Lúcia que o que mais queria era voltar para atrás do balcão.

Maria Lúcia, que estava casada há 39 anos, conta que nos últimos dias, Canela pensava muito no bar. “Foram muitos anos de trabalho e luta, mas ele adorava. Sempre dava muito valor aos clientes. Os moradores daquela esquina eram uma verdadeira família”, diz. Para a cunhada, Dulce Spineli Canela, o comerciante sempre foi atencioso com todos. “Era um verdadeiro paizão. Nunca faltava com uma palavra amiga”, conta.

José Hermínio Canela, irmão mais novo do comerciante, relata o aprendizado que teve com o irmão. “Ele era um homem de bem e teve uma vida consagrada, coisa muito difícil de conseguir nos dias de hoje. Ele tinha um dom, um carisma que nos fazia aprender só com suas as ações”, relembra.

O empresário José Irineu de Oliveira, proprietário de um supermercado em Bauru, conta que Canela era um exemplo. “Ele sempre estava sorrindo atrás do balcão. O dia-a-dia do nosso ramo é muito difícil e ver ele com aquela alegria, sempre nos dava uma injeção de ânimo”, diz.

Canela morreu ontem, às 8h da manhã. Ele estava hospitalizado desde a última quarta-feira, quando foi realizar mais uma sessão de quimioterapia para combater um tumor, diagnosticado em 2005. O sepultamento do comerciante será hoje, às 9h, no Cemitério da Saudade.

História

No dia 28 de fevereiro do ano passado, Canela fechou as portas de seu bar e mercearia após 41 anos de trabalho. O último dia de funcionamento do estabelecimento reuniu dezenas de amigos e clientes de longa data.

O bar foi aberto em 19 de outubro de 1965 e funcionava na esquina das ruas Padre João com a Araújo Leite. Na parte da frente do imóvel ficava o bar e mercearia e no fundo, a residência do casal. O estabelecimento era famoso por suas frutas e legumes, além do bacalhau estocado com cuidado pelo comerciante.

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