Sempre defendi policiais nesta coluna. Não posso ficar quieto quando leio que estes se omitem a atender as ocorrências, saindo do lado contrário ao dos bandidos. Disse que daria a cara para bater, se alguém conseguisse provar o que foi escrito. Não seria o caso de fazê-lo, pois no fato ocorrido com o menor, que infelizmente resultou em sua morte, os policiais não se omitiram (melhor que o tivessem feito), mas cometeram uma barbaridade inconcebível, que marcará negativamente por décadas o conceito da Polícia Militar em todo Estado.
No entanto, não devemos generalizar, como diz a senhora Maria Inês Faneco, na Tribuna de domingo, 25/12/07. Concordo com ela. Só não concordo quando ela diz que os policiais estavam obedecendo “ordens de cima”. Dá a entender que os oficiais superiores deram ordens para que se torturasse o menor.
Senhora Maria Inês Faneco, respeito sua opinião, mas acho um absurdo o que disse. A hierarquia da Polícia Militar é extremamente rígida nesse sentido. Os policiais se submetem à reciclagem periodicamente e se debate esse tema incansavelmente. São punidos exemplarmente quando cometem excessos, extrapolando o poder de polícia. São instruídos a usar de força moderada, apenas o suficiente para que o subjugado se acalme. Incontinente, é conduzido à delegacia e apresentado à autoridade de plantão. No caso do menor, nada disso aconteceu.
É inadmissível o que ocorreu. Seis policiais para prender um delinqüente! Havia necessidade de agirem daquela forma? Compete à Polícia Militar proteger e dar segurança à coletividade, detendo infratores e apresentando-os à autoridade competente... e só. Ali acaba seu trabalho.
Compete aos delegados e seus investigadores elucidarem os fatos e fornecerem subsídios para que o promotor ofereça a denúncia. É simples. Por que tudo isso aconteceu? Queriam aparecer como heróis? O que aconteceu foi exatamente ao contrário. Macularam sensivelmente o nome da instituição, que vem apresentando bons serviços há muito tempo.
Infelizmente, o povo não perdoa. Generaliza-se e a culpa cai em todos. Portanto, é o momento de refletir com calma e rever conceitos. É o momento de se fazer alguma coisa. A Polícia Militar não pode cair no descrédito do povo. A maioria são pessoas respeitáveis, que levam a sério seu trabalho, com competência e determinação. Não se pode deixar que seis pessoas consigam atrapalhar o bom andamento do serviço desses policiais, sempre em prol da coletividade.
Para terminar esta triste narrativa, não posso deixar de pensar no estado daquela mãe, que perdeu seu filho tão tragicamente. Também nos familiares, esposa, pai e mãe dos policiais presos e transferidos para o presídio militar em São Paulo.
O que de mais triste poderia acontecer a essas pessoas? Uma família enlutada pela morte de um dos seus, torturado até a morte. Outras famílias na certeza de que seus filhos pagarão caro..., e muito, pelo ato animalesco que cometeram. É triste... muito triste...
Luiz Carlos Pasquarelo - RG 3.053.575