A união faz a força diz o ditado popular. Mais ainda se for por um objetivo nobre. É o que ocorre com um grupo de 25 amigos do Jardim Andorfato, em Bauru. A maioria trabalha como autônomo no ramo da construção civil e se reúne aos finais de semana e feriados para ajudar uns aos outros e pessoas do bairro que necessitam. O grupo encara desde pequenas reformas até a construção da casa inteira, sem falar de serviços mais simples. E tudo de graça, sem cobrar nada do beneficiário, que paga apenas o material utilizado.
Em mais de 12 anos de união e trabalho, os “Amigos do Andorfato” já conseguiram ajudar mais de 40 famílias do bairro a ter o seu próprio teto, uma casa digna para morar. O pedreiro Antônio Esteves do Nascimento, 34 anos, carinhosamente conhecido por Toínho, um dos integrantes do grupo, diz que eles têm de sobra união e disposição para o trabalho.
“Cheguei em Bauru há cerca de 14 anos e morei por dois anos numa favela aqui perto. Por isso sei o quanto é difícil para uma pessoa não ter um lugar seguro para sua família morar”, relata. A casa em que ele mora com sua família foi construída com a ajuda dos amigos. “Assim como a casa deles (amigos) também foi ou está sendo construída através da união de todo o grupo”, explica.
“A gente faz de tudo: concreta, coloca piso, ergue paredes, conserta encanamento, faz parte elétrica. E, ser for preciso, constrói a casa inteira e entrega a chave nas mãos do dono”, conta.
Quase inimaginável num mundo capitalista, os “Amigos do Andorfato” conseguem a proeza de melhorar a qualidade de vida dos integrantes e fazer o mesmo com união e trabalho nas horas vagas. Cada um trabalha quando pode - final de tarde, feriado e final de semana.
O eletricista Alécio Gomes, 48 anos, compadre de Toínho, é outro integrante do grupo. Ele conta que juntos conseguem resultados grandes, como construir uma casa inteira, porque eles são muito unidos. “A gente não cobra nada. A pessoa dá o material e a gente põe a mão na massa. E a cada nova obra, mais amigos”, afirma Gomes.
Toínho ressalta que o objetivo é melhorar a vida das pessoas que vivem no Jardim Andorfato, um bairro com muitas ruas sem asfalto, sem estrutura e de difícil acesso. “A gente faz mutirão para realizar o serviço e nunca negamos ajuda para ninguém”, frisa. Ao lado da sua casa, Toínho construiu uma área de lazer onde os amigos se reúnem depois do trabalho para comemorar mais um dia de serviço. “Aqui a gente se diverte, faz churrasco e toma cerveja juntos. É um espaço nosso, feito para isso”, conta orgulhoso.
Pernambucano, Toínho ressalta que ele e os amigos sentem prazer em trabalhar em prol de outras pessoas. “Aqui a gente tem a união que falta no Brasil”, diz. O grupo começou pequeno, mas cresceu e atualmente reúne 25 pessoas oriundas de várias localidades que moram no bairro. “É difícil chegar de longe e não ter nem onde morar”, comenta com a sabedoria de quem já passou por esta situação.
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Exemplo
O mais velho dos “Amigos do Andorfato”, Alécio Gomes, sente orgulho de integrar um grupo tão unido. “No mundo em que a gente vive, onde muitas pessoas não olham na cara uma das outras, viver como vivemos, unidos, é muito bom”, diz com a sabedoria de quem sente-se realizado apesar da vida simples.
Antônio Esteves do Nascimento, o Toínho, diz que ele e os amigos querem provar que é possível viver em harmonia com a comunidade, ajudando as pessoas a ter uma vida melhor. “Quando criança, a gente via isso na casa de nossos pais e parentes. Naquela época, todo mundo se ajudava e não faltava nada para ninguém. A gente quer provar que, com o nosso trabalho, é possível viver como eles. Mas é preciso ter união e amizade verdadeira como a gente tem aqui”, frisa.
Toínho e os amigos sabem que na comunidade onde vivem há muita melhoria a ser feita e por isso eles não param. Ele conta que existe muito serviço em andamento: casas em construção, reformas e tanto outros serviços. “A gente nunca vai parar. Tem pessoas de todas as idades no grupo e o trabalho que a gente faz, tenho certeza, está garantido por muito tempo”, diz revelando a esperança num mundo melhor.