Economia & Negócios

Alta no preço reduz consumo do feijão

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 3 min

A vendedora autônoma Doroti Alves Souza, 59 anos, não compra feijão há dois meses. Ela substitui o cereal por dobradinha e outros alimentos com molhos, pois se assustou com o preço do produto. “Meu marido foi ao mercado e encontrou o feijão por R$ 7,00 o quilo. Não estamos mais comprando por que está muito caro”.

Assim como Doroti, muitas pessoas estão substituindo ou diminuindo o consumo do feijão em virtude da alta dos preços. Com a redução da oferta do cereal no mercado, principalmente da variedade carioca, a mais consumida no Estado de São Paulo, o preço começou a disparar em outubro, um aumento que ultrapassa a 100%.Considerada forte commoditie nacional, o Brasil não importa feijão.

Ou seja, o País depende exclusivamente da produção interna, que sofreu queda por causa da estiagem prolongada no segundo semestre de 2007 no Estado de São Paulo. A seca atrasou o plantio e reduziu a produção da safra. O resultado foi que o feijão alcançou o maior preço dos últimos 15 anos.

Assustado com o preço, o consumidor diminuiu a quantidade ou deixou de comprar feijão. Funcionários de supermercados de Bauru entrevistados pelo Jornal da Cidade contam que a venda do cereal caiu mais de 40% nos últimos meses.

Para Marcos Renato Lourenção, gerente de uma rede de supermercados da cidade, o aumento no preço do grão é normal uma vez que muitos produtores desistiram do plantio da leguminosa e migraram para culturas mais rentáveis, como milho e soja.

No estabelecimento, o quilo do feijão varia entre R$ 4,99 e R$ 6,99, o que eqüivale a um pacote de cinco quilos de arroz. Antes do aumento, o quilo do feijão era encontrado por menos de R$ 3,00. “O consumidor não deixou de comprar feijão, mas está consumindo em menor quantidade”, explica.

Para contornar a situação, o supermercado conseguiu exclusividade na negociação de preços com fornecedores e irá oferecer o quilo do produto, em caráter temporário, a R$ 3,99. Para Lourenção, a alta dos preços deve persistir até fevereiro.

Donato Avelino da Silva, também gerente de uma rede de supermercados em Bauru, confirma a tendência de redução no consumo do grão. “Por causa do preço, a quantidade de consumo diminuiu”, salienta. No estabelecimento, o preço médio do quilo do feijão é de R$ 4,00.

Variedades

Em época de aumento de preço do feijão carioca, uma das alternativas é buscar outras variedades do cereal. Provavelmente por isso, aumentou o movimento num empório na área central de Bauru que comercializa vários tipos de feijão, entre eles o bolinha, roxinho, branco e o preto.

Osvaldo Barrezzi, gerente empório, diz que o movimento aumentou por causa do preço do feijão carioca. “Mas muita gente não leva (os outros) porque acha caro”, diz ele, que trabalha com muitos produtos do Nordeste. O preços do quilo do feijão no estabelecimento varia de R$ 3,70 a R$ 6,99 o quilo. “Estou com muita dificuldade para comprar o produto”, afirma.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde, o número de produtores do Estado que cultivam o feijão fora das regiões de Itaí, Itapeva e Piraju, atingidas pela seca, é irrisório. Segundo ele, a cultura está suscetível a condições climáticas, comprometendo a produtividade, tornando-se pouco rentável nos últimos anos. Na região de Bauru, Lima Verde não tem conhecimento da existência de produtores de feijão para comércio - apenas para consumo próprio.

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