Polícia

Ao juiz, policiais militares sustentam legítima defesa no ‘caso Jorginho’

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Os policiais militares Lincoln César Cares, Ricardo Antônio do Amaral e Renato Valderramas de Favari, acusados de matar o mecânico Jorge Luiz Lourenço, 22 anos, o Jorginho, foram interrogados na tarde de ontem no Fórum de Bauru. Eles mantiveram a alegação dos depoimentos prestados às Polícias Civil e Militar, de que reagiram a disparos feitos pelo rapaz.

Em setembro do ano passado, o Ministério Público ofereceu denúncia contra os policiais por homicídio doloso qualificado, por não possibilitar defesa e fraude processual - por alteração na cena do crime. Os policiais estão afastados do trabalho na rua, atuando na área administrativa.

Na tarde de ontem, os policiais responderam às perguntas feitas pelo juiz da 1.ª Vara Criminal, Benedito Antônio Okuno. O Ministério Público e a defesa dos PMs também fizeram perguntas aos acusados. Ontem, foi a primeira vez que a família do mecânico ficou frente a frente com os acusados. “É muito doloroso ainda. Ontem (anteontem), fez nove meses que eu estou sem poder abraçar meu filho”, disse Edite Lourenço, mãe do mecânico, que foi morto em abril do ano passado. O rapaz foi atingido na cabeça por um disparo dos policiais, durante perseguição.

Os depoimentos dos policiais duraram cerca de 30 minutos cada um. Eles foram interrogados separadamente e não podiam conversar entre si depois de ouvidos. Além do Ministério Público e a defesa dos policiais, também acompanharam o interrogatório a mãe do mecânico, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Bauru, Gilberto Truíjo, e alguns policiais.

Muitos amigos do mecânico, alguns com camisetas com a foto dele estampada, foram até o Fórum apoiar a família. Porém, cerca de uma hora depois do início da audiência, eles foram orientados por funcionários a deixar o prédio. Cassiana, a irmã do rapaz, também teve de deixar o local.

A advogado dos policiais, Fernanda Cabello Magalhães, afirmou que seus clientes estão tranqüilos quanto à absolvição, pois teriam agido em legítima defesa, mas que ainda estão abalados. “Foram nove meses muito difíceis para eles e para suas famílias. Eles foram pré-julgados pela opinião pública antes que as provas fossem analisadas”, diz.

Os advogados Aimberê Francisco Torres e Marcos Aurélio Silvestre, contratados pela família para auxiliar a acusação, informaram que os policiais mantiveram a versão que já tinham dado à polícia. “Eles continuam afirmando que reagiram. Agora, iremos acompanhar durante o restante do processo”, diz Torres. “Os depoimentos não foram eficazes para desmontar os laudos apresentados”, avalia Silvestre.

A advogada dos policiais terá três dias para apresentar a defesa prévia. Dia 17 de julho, as 12 testemunhas de acusação serão ouvidas. Depois, será marcada uma audiência para as testemunhas da defesa.

Comentários

Comentários