Tribuna do Leitor

“Quo vadis”


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Durante os anos de chumbo, muita coisa descoberta pela repressão causou estranheza! Passaram-se os anos e a minha memória, já desgastada pelo tempo (“o tempo é o senhor da razão”!), não permite, amiúde, que me lembre de vários episódios. Entretanto, lembro-me, ainda, do estouro de uma célula terrorista, à luz do dia, na rua Pio XI, na Lapa, em São Paulo, quando três ou quatro militantes da então esquerda foram executados, em duelo, por homens da Operação Bandeirantes, do Segundo Exército. Eu trabalhava nas proximidades, e por ali se falava, a boca pequena, que a descoberta do “aparelho” fora possível graças a uma denúncia de outra corrente da mesma militância.

A descoberta de um plano de locomoção do clandestino ex-deputado Carlos Marighela, utilizando a Alameda Casa Branca, nos Jardins, também em São Paulo, até hoje é uma lenda. Ele foi executado no interior de um Fusca que eu, então comerciante de veículos na Capital, vendera ao ainda jovem Paulo de Tarso Wenceslau, sem saber de sua clandestinidade e militância no terrorismo. Nem queiram saber, os leitores, o quanto padeci por esse infortúnio. Dizem, também, que alguém da clandestinidade (talvez sacerdotes ou irmãos leigos de um seminário das Perdizes, em São Paulo), declinou às autoridades a surtida da vítima e seu trajeto.

Outro fato intrigante foi o ajuste de contas que culminou com o assassinato de Márcio Leite de Toledo, aqui de Bauru, em março de 1971, na Capital, crime esse efetivamente assumido pela Aliança Libertadora Nacional (ALN) e que até hoje ocasiona várias interpretações. Uma delas diz respeito a uma denúncia à cúpula da ALN que imputava a Toledo uma pretensa traição ao militante Joaquim Câmara Ferreira, de codinome o “Velho”. Há uma matéria de F. Dumont, na Internet, que comprova que isso não ocorreu (ver “Google”, pesquisando o título “História: o assassinato de Márcio Toledo da ALN” - sic).

Por ocasião das exéquias de Márcio, seu pai, dr. Antonio Eufrásio de Toledo, fundador e então reitor do Instituto Toledo de Ensino (ITE), fez publicar na imprensa uma comovente e emocionante mensagem de amor ao filho, considerando que quem acredita com fé no seu próprio ideal e luta por ele, deve ser enaltecido, sempre! A luta pelo restabelecimento do estado de direito era o desiderato de Márcio.

Não nos esqueçamos, também, do 30º Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes), terminantemente proibido pela ditadura militar, que seria realizado em outubro de 1968, em Ibiúna, e que o próprio delegado do DOPS, J.P.Bonchristiano, encarregado da operação que evitaria a sua realização, confessou havê-lo descoberto e localizado por “cagüetagem” (sic)... Foram todos (cerca de 700 pessoas) presos, inclusive um dos que era candidato à presidência daquela entidade estudantil. Há notícias que dão conta de que este perderia a disputa para Jean Marc Van der Weid, que era apoiado pelo ainda presidente da UNE, Luis Travassos.

Num destes dias, falando em Porto Alegre a respeito dos famigerados Caixas 2 (“recursos não contabilizados”, no jargão do PT), sem que a ele nada fosse perguntado, um cidadão pernóstico mas bem-falante, vivendo do e no ócio, “dedodurou” seus companheiros do PT gaúcho e, useiro e vezeiro desse hábito, em seguida tentou desmentir o que disse, mas que já fora registrado e publicado pela grande mídia nacional (vide os jornais O Estado de São Paulo, Jornal da Cidade de Bauru, O Globo, Jornal do Brasil, O Estado de Minas, Zero Hora, etc, edições de 4 e 5/01). Sobre esses “recursos não contabilizados”, matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo (pág.A11, 06/01) sob o título “Confissão de Dirceu põe em dúvida argumento de que Lula nada sabia”, informa que “a obra (da sede do PT gaúcho) era financiada com malas de dinheiro” transportadas pelo ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares. E quem isso confessou não foi ninguém menos que o então (na época ainda era) ministro da Casa Civil de Lula, “braço direito do presidente da República”.

Esse mesmo senhor declarou ainda, aproveitando o ensejo, que sabe “coisas impublicáveis” a respeito da ex-senadora Heloísa Helena (PSOL-PB)! Ora, ora, coisas de... alcoviteiras! Será algo muito pior que a “formação da quadrilha” que ele chefiava (vide denúncia do procurador-geral da República, Dr. Antônio F.de Souza,conhecida e aceita pelo STF)? Será também pior, ainda, que o mensalão confessado e delatado pelo ex-deputado também cassado, Roberto Jefferson, na cara desse mesmo senhor durante a CPI do mensalão? Mande publicar, ex-excelência, tudo o que sabe sobre a ex-senadora! Fale, de uma vez, trânsfuga!... E ele ainda tem a ousadia de dizer que Dilma Roussef foi sua “irmã de armas”, quando, fujão que foi, na verdade nunca pegou sequer num bodoque!

Disso tudo é que nasceu o PT... Da traição e da mentira! Do “dedodurismo”, do clientelismo e da incompetência... Da incapacidade e da covardia, descartando, pelos caminhos, os companheiros já sem utilidades, desde que queimados por terem sido pegos em... flagrante, inclusive com dinheiro oculto na cueca! E, para dar-lhe formas, convocaram um líder metalúrgico do ABCD para que fosse seu primeiro presidente... Desse mesmo PT, esse líder metalúrgico é, ainda hoje, presidente de honra!

Esse é o “jeitão” do PT... Esse é o vezo do PT, que está a aparelhar toda a máquina do governo federal! O “pudê” subiu à cabeça dos seus dirigentes!!!

Agora, unido a Hugo Chávez e ao que resta de Fidel Castro, fica no ar a pergunta dirigida ao já não mais puro e pretenso exemplo ético de partido político: “quo vadis” ???

João Guilherme Ortolan - RG 10.938.473

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