Bairros

Cai número de acidentes nas estradas, mas morte de motociclistas cresce 64%

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Um levantamento realizado pelo 2.º Batalhão de Policiamento Rodoviário revela um aumento alarmante de mortes de motociclistas nas estradas. Em 2007, enquanto o número total de vítimas fatais em acidentes nas estradas teve queda de 3%, a taxa de mortes entre motociclistas aumentou 64%.

No ano passado, 92 motociclistas perderam a vida nas estradas da área do 2º Batalhão, o que representa 20% do total de mortes registradas. Já em 2006, este índice foi de 12%.

O estudo refere-se aos mais de 7 mil quilômetros de rodovias que interligam as 245 cidades da região Centro-Oeste do Estado que compreendem o 2.º Batalhão. A maioria das vias é de pista simples e apenas duas delas estão sob concessão de empresas privadas. “Esta é uma circunstância bastante relevante para a ocorrência de acidentes”, observa o coordenador operacional do 2.º Batalhão, major Benedito Roberto Meira.

De acordo com ele, a frota de motocicletas na região aumentou consideravelmente. Por ser um meio de transporte que não depende de horários estabelecidos, como os ônibus intermunicipais, serem econômicas e estarem mais acessíveis, as motocicletas são cada vez mais comuns nas estradas.

“Muitos motociclistas trabalham em cidades vizinhas e utilizam a moto por ser um transporte mais barato e prático. No entanto, o índice de acidentes é totalmente desproporcional à frota circulante nas rodovias”, destaca. Apesar de não possuir estatísticas de quantos motociclistas circulam por ano nas rodovias, Meira afirma que a proporção em relação ao número de automóveis e caminhões não corresponde a 20%. “É muito inferior a isso”, frisa.

Imprudência

O major afirma que a irresponsabilidade e a imprudência do motociclista devem ser as principais causas de acidentes aliadas à falta de manutenção dos equipamentos de segurança e do veículo. O descuido com a moto tem sido apontado, inclusive, como uma das causas para os altos índices de acidentes ocorridos durante o período noturno.

De todas as mortes registradas no ano passado nas estradas da área que compreende 2º Batalhão, 76% ocorreram entre 18h e 6h. Grande parte dos acidentes é motivada pela deficiência de visibilidade e de reflexo dos motociclistas, que se acentuam com a falta de luz solar. “Isso pode dificultar a visualização de um animal, um objeto ou um buraco que está no meio da pista”, alerta o major.

Neste sentido, Meira acredita que as novas exigências aos motociclistas, como o uso de faixas refletivas no capacete, possam contribuir para a redução de acidentes. “Acredito que vai melhorar a visualização do motociclista. Mas, para as rodovias, não será uma medida de grande impacto porque a principal causa de acidentes continua sendo a imprudência”, observa ele, apontando exemplos de motociclistas que perderam a vida em 2007 por estarem embriagados ou porque transitavam com mais de dois ocupantes sobre a moto.

“A solução para diminuir as mortes nas rodovias é revisar completamente no Código de Trânsito Brasileiro e aumentar o rigor na aplicação das multas. Só a punição mudará o comportamento dos infratores”, acredita.

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