Economia & Negócios

Bauru registra maior superávit da balança comercial em 10 anos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Com exportações de US$ 147,669 milhões e importações de US$ 56,071 milhões, a balança comercial de Bauru registrou em 2007 o maior superávit dos últimos dez anos, atingindo um saldo (diferença entre exportações e importações feitas pelas empresas) de US$ 91,597 milhões. O resultado foi três vezes superior ao alcançado no ano anterior, quando o saldo foi de US$ 27,798 milhões. Os números constam de um levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), que inclui os resultados de exportações e importações realizadas por empresas bauruenses desde 1997.

Apesar dos números recordes, o empresário José Luiz Miranda Simonelli, titular do Departamento de Ação Regional (Depar) em Bauru - órgão ligado à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) -, ressalta que a estatística positiva pode esconder uma realidade bem menos favorável.

Segundo ele, em função da crescente desvalorização do dólar frente ao real, o lucro dos empresários vem caindo nos últimos anos. Isso porque, pela legislação cambial do País, o dinheiro recebido pelas vendas tem de ser convertido para a moeda brasileira, obrigatoriamente.

“Um exportador que vendia US$ 100 mil em mercadorias há três anos, convertia este valor em aproximadamente R$ 300 mil. Hoje, vendendo a mesma quantia, ele recebe cerca de R$ 175 mil. E se considerarmos ainda a inflação do período, teremos resultados ainda menores”, exemplifica.

“Pauta pobre”

Ainda que o saldo da balança comercial tenha permanecido positivo nos últimos cinco anos, Simonelli afirma que Bauru encontra-se em situação de desvantagem produtiva e comercial por possuir uma pauta de exportação pobre, com produtos de baixo valor agregado.

“Estamos importando produtos manufaturados e de tecnologia, que carregam em seu processo produtivo um forte contingente de empregos e distribuição de renda. Por outro lado, exportamos apenas ‘commodities’ (produtos básicos, matéria-prima) agrícolas e minerais”, frisa.

De acordo com os dados da Secex, no ano passado os produtos mais vendidos por empresas de Bauru a outros países foram, pela ordem, barras de ferro e aço (US$ 38,561 milhões), baterias elétricas de chumbo (US$ 28,188 milhões) e carnes bovinas desossadas congeladas (US$ 13,990 milhões).

Desempenho inédito

O diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Domingos Malandrino, faz uma avaliação mais otimista dos resultados obtidos pelas indústrias bauruenses em 2007. Segundo ele, o setor de baterias automotivas, que praticamente dobrou o volume de exportações em relação a 2006, foi um dos grandes responsáveis pelo desempenho inédito da balança comercial. “Com o aumento da produção de veículos em todo o mundo, Bauru fez significativos investimentos nesse setor, com melhoria dos parques fabris e dos processos produtivos, o que abriu novas portas para o mercado externo”, argumenta.

Além disso, ele lembra que 2007 foi o ano da retomada da venda de carne bovina paulista, que havia sofrido sucessivos embargos no ano anterior em razão da descoberta de focos de febre aftosa em rebanhos de alguns Estados brasileiros.

“Também tivemos um incremento importante nas exportações de gomas de mascar, porque uma indústria transferiu sua base fabril de São Paulo para Bauru”, destaca Malandrino. De acordo com ele, os investimentos, embora setoriais, acabam impulsionando a economia da cidade.

“Essas ações explicam, inclusive, o crescimento de 5% na contratação formal de mão-de-obra no setor industrial de Bauru em 2007”, comenta. O dado é da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho.

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