As lideranças indígenas da região aguardam uma definição da Funai, em Brasília, sobre a nomeação de um novo administrador para Bauru e também sobre a sede do órgão em Bauru, que tem 30 anos. Ouvido pela reportagem, o técnico indigenista Henrique Sérgio Bunger, acredita que a comunicação entre índios e a Funai é o melhor caminho para resolver os problemas pendentes e acha importante a realização de uma reunião entre as lideranças para se chegar a um acordo.
“Enquanto indigenista há quase 40 anos, eu tenho conversado com as lideranças. Acho que o importante é abrir um canal de comunicação com a Funai para construir uma nova proposta para a administração e para o próprio índio”, comenta Bunger, que já trabalhou com os irmãos sertanistas Villas Bôas.
Segundo ele, todos têm o direito de reivindicar e cabe ao órgão ouvir as reivindicaçãos. “O direito de reivindicar é de todos. Se eles (índios) estão reivindicando de uma maneira errada ou certa, a Funai tem que ouvir do mesmo modo. Não pode virar as costas. Tem que direcionar sem prejuízos para eles e sem que eles percam o seu orgulho de ser e o seu direito de reivindicar. Este é o meu posicionamento pessoal enquanto indigenista”, comenta.
Bunger lembra da lição que aprendeu com os irmãos sertanistas Villas Bôas, no período em que trabalhou com eles. “O grande mérito dos Villas Bôas, e que eu aprendi com eles, é ser um pacificador, como foi o (sertanista Marechal Rondon), como foi o (líder espiritual indiano) Mahatma Gandhi. É esta filosofia que tem que ter”, conclui Bunger.