Articulistas

Eles fingem que nos passam pra trás e nós fingimos que não entendemos!


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Ano novo. Vida nova. Ano eleitoral. Em outubro os montes de sanguinários verbais, vampiros do lixo político, nos atacarão com suas verborragias a fim de usufruir os tímpanos alheios, tão quanto se fossem hemácias, para conseguirem o óbvio: voto. Querem que paguemos à conta. Eles virão para nos cobrar o que não fizeram. Apontará isto como nossa responsabilidade cívica. Nosso dever de ser brasileiros. Serão apenas pleitos para prefeitos e vereadores desprezíveis. Dançamos. Este é nosso ofício de viver: dançar, para não dançar!

Começou o ano. Começou infernizado por ter sido ludibriado no segundo dia, em ritmo bem menos vagabundo do que nos últimos anos. Começou a sessão das mentiras. Em se tratando disto o governo do presidente atual abriu sua campanha do maior cara de pau da história deste país. Quem será? Não faço questão em saber!

Ao promover um quase “cala boca” ao Guido Mantega, quando este se refestelou num discurso apontando uma possível recriação da CPMF, o Lula acabou com tudo. Disse que não haveria nada de aumento da carga tributária, nada de “CPMF-2”; que o governo tem que se virar como pode; que há uma equipe de técnicos competentes. Não aconteceu nada disso!

Aquele discurso foi balela. A entrevista do Lula advertindo o ministro de grande poder ridicularizou a pouca moral do governo. Mentir, para o PT, é lavar as mãos. Pra eles, mentir é parte da salvação da condição de governar o país. Portanto, pode-se inserir que mentir é pra impor o que se deve ser articulado e executado por ordem do Palácio do Planalto. Pronto. Acabou. Ordens são ordens. Pronto. Vira a página. Não. Não faço isso, não!

Levamos um baile do Lula. E que bailão! Isso é desprezível! Estouramos champanhe no Réveillon à beira mar imaginando a leveza das contas a pagar. E que contas! E que peso! Que estupidez daquela gente! A política brasileira é um esgoto a céu aberto. Sucumbiram nossos risos através dos nossos pés. Imperou o engabelamento sádico em pleno o verão. Transbordou a espúria. Deturparam a verdade. Mentiras e verdades não se encaixarão mais ao contexto. Ninguém saberá o que é mentira e o que é verdade. A verdade pode ser mentira e a mentira verdade, ou a mentira pode não ser nada e a verdade um engodo.

Que governo é esse que usa da mentira como artefato de festa de fim de ano, para “impor” goela abaixo o aumento do IOF e da CSLL? Que governo é esse que se entregou a três anos num escândalo estupendo, como o Mensalão com Marcos Valério de Sousa envolvendo ministros, deputados, “gente esperta” que ao final, afundou na frieza do abandono que próprio chefe do Estado preparou ao dizer ter sido traído e não entender nada, não saber de nada?

Que governo é esse que no claustro da arrogância resolveu defender seus nobres poderes, sem debater. Que governo é esse que de repente é profissional e depois se comporta iguais aos amadores? Que governo é esse que terá que enfrentar a oposição que já fez uma representação para naufragar a ordem presidencial?

Driblar, como um jogador de futebol, não dá certo. Garrincha foi muito nobre, elegante com suas pernas tortas e seu casamento com Elza Soares, a grande intérprete.

Eles são os fins da picada. Esta é a política mesquinha qual o presidente da república exibe nas páginas dos jornais empurrando no fundo do rabo do povo seus dizeres tais como: “Os bancos ganharam muito dinheiro e não sentirão o aumento desta carga tributária!” Banqueiro não sente. Os clientes... Bem, esses com certeza abrem à bocarra e falam tudo!

Ninguém quer saber dos bancos. Menos ainda de qualquer trunfo escatológico, medíocre, que foi feito na condição de angariar fundos para sanar as contas públicas.

O governo está jogado na bagunça causada por esta oposição organizada que deseja a ordem do quanto pior melhor; do quanto às coisas piorarem é risada debochada por ver a desgraça do partido alheio; vingança comida em prato frio, derrubada maldosa.

Meu Brasil, brasileiro, do que será de ti! Eles vivem de mentiras e nós das verdades. Eles encenam a falsidade sem a Dilma por perto, mas nós nos entalamos com os excessos de impostos, com falta de ar, por esse bolchevismo tacanho exercendo a “soberania nacional”.

Eles fingem que nos passam pra trás, e nós fingimos não entendermos o início do ano tributário para no fim desta novela dar um jeito para sobreviver novamente!

O autor, Gustavo Werneck é jornalista, e-mail: werneckgustavo@yahoo.com.br

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