As aproximadamente 30 famílias que moram em barracos instalados em terreno localizado no Jardim Godoy, em Bauru, ficaram por cerca de 15 dias sem energia elétrica. Um cabo de energia se rompeu e ocasionou o desabastecimento. Segundo a assessoria de imprensa da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), o cabo só se rompeu devido aos ‘gatos’ – expressão usada para designar ligação precária e irregular feita entre as residências e o poste de energia.
Os moradores admitem que fazem ligações clandestinas, mas querem regularizar a situação. “Conseguimos há cerca de sete meses o abastecimento de água em nossos barracos. Agora, queremos energia também”, diz Regina Apolinário.
Outra moradora há 10 anos da favela, Neusa Biazoto, diz que a população vai pagar pelo serviço. “Nós só fazemos ‘gato’ porque não temos energia em casa, mas queremos pagar para ter luz”, afirma. Ela depende da energia elétrica para trabalhar como costureira.
O cabo de energia rompido ficou no chão, para o desespero dos moradores. “Temos medo de que alguma criança leve choque porque elas ficam brincando pelos terrenos. Também tem o pessoal que chega tarde do trabalho e a rua fica muito escura”, preocupa-se a moradora Maria das Graças da Silva Oliveira.
Os moradores fizeram um abaixo-assinado com cerca de 160 assinaturas. Até mesmo pessoas que não moram na favela se solidarizaram com o pedido dos vizinhos.
“Vamos entregar esse documento na CPFL e participar de uma reunião com eles (representantes da empresa) ainda esta semana”, afirma Maria das Graças.
CPFL
A assessoria de imprensa da CPFL afirmou que o cabo de energia rompido no Jardim Godoy não estava energizado, portanto não oferecia risco de choque elétrico. Informou que funcionários foram consertar o cabo na tarde de ontem, mas encontraram resistência dos moradores. Para arrumar o cabo era necessário retirar os ‘gatos’ feitos pelos moradores. Depois de algum tempo, eles concordaram e os funcionários puderam consertar o cabo e restabelecer a energia.
Sobre a ligação de energia elétrica às residências da favela, a assessoria afirmou que aguarda uma posição da prefeitura municipal para permitir ou não o serviço uma vez que a casa não estariam regularizadas.