Cabrália Paulista - A Cadeia Pública de Cabrália Paulista (45 quilômetros de Bauru) foi desativada ontem, com a transferência de 51 presas para a cadeia de Avaí. Ontem, vencia o prazo de dez dias dado pelo juiz substituto da Comarca de Duartina, Gabriel Baldi de Carvalho, para que a Delegacia Seccional de Bauru cumprisse a ordem de interdição determinadapela Corregedoria-Geral de Justiça do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo.
Até então com três cadeias femininas, a Seccional de Bauru passa a contar com apenas duas: Pirajuí e Avaí. A Cadeia Pública de Duartina, antes carceragem feminina, passou a abrigar 39 presos remanescentes de Avaí. A cadeia de Pirajuí estava ontem com 70 presas, conforme o delegado Seccional de Bauru, Doniseti José Pinezi. Sua capacidade é para apenas 36 pessoas.
O precário imóvel da Cadeia de Cabrália, onde funcionavam carceragem e delegacia, pode ser demolido. No local, pode ser reerguido um novo, para abrigar apenas a delegacia da cidade. “Estamos encerrando definitivamente (com a carceragem)”, garante Pinezi. Ele esclarece que o efetivo policial em Duartina e Avaí não será aumentado. As carcereiras de Cabrália passam a trabalhar em Avaí.
Enquanto seus pertences eram colocados em um caminhão, ainda nas celas, algumas presas comemoravam a mudança de “casa”. No xadrez quatro, elas cantavam a canção infantil “Escravos de Jó”, adaptada para o momento que estavam vivenciando. Depois, completaram com o coro “Adeus, Cabrália velha”. O dia atípico para a presas, também foi comemorado, com muita discrição, pelos policiais civis que atuam na delegacia e carceragem.
As 51 presas foram acomodadas em dois veículos. Algemadas com fita, as primeiras 20 ocuparam um caminhão-baú. Em seguida, as 30 restantes, também algemadas com fita, foram transportadas em um ônibus cedido pela Prefeitura de Cabrália. Às 15h05, os dois veículos partiram escoltados por 20 policiais civis, fortemente armados e distribuídos em cinco viaturas.
A dona de casa Joice Antiqueira, 25 anos, vizinha de muro da cadeia, comemorou a desativação da carceragem. “Ficava com medo de rebeliões e das tentativas de fuga, porque o prédio é precário.”
Resgate
O JC apurou que no dia 26 de dezembro de 1998 uma presa foi resgatada em Cabrália. Segundo informações, ela foi detida ao visitar o esposo que estava preso no Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru. A mulher teria se apresentado com nome falso para a visita e os funcionários desconfiaram. Ela foi presa e encaminhada para Cabrália. O marido e comparsas fugiram do IPA e, após o Natal, resgataram a mulher, que estava grávida.