Economia & Negócios

Micro e pequenas empresas têm melhor faturamento em 5 anos

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 3 min

As caixas registradoras das 1,3 milhão de micro e pequenas empresas (MPEs) paulistas guardaram R$ 22,7 bilhões em novembro passado, crescimento de 1,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, já descontada a inflação. Foi o décimo mês de 2007 em que o segmento apresentou expansão no faturamento médio real, com exceção apenas ao mês de setembro. Os pequenos negócios do comércio e da indústria são os principais responsáveis pela recuperação do setor, que obteve taxa de crescimento do faturamento real de 3,2%, a maior dos últimos cinco anos. Os dados são da pesquisa Indicadores Sebrae-SP, divulgada ontem.

As MPEs do Interior do Estado de São Paulo - incluindo Bauru - se destacaram no resultado de 2007 e apresentaram aumento de 7,3% no faturamento, superando a média geral. O bom desempenho do setor no Interior paulista foi impulsionado pela expansão das lavouras de cana-de-açúcar, gerando movimentação de renda nas regiões próximas ao seu cultivo por meio do pagamento de salários e conseqüentes gastos dos trabalhadores nos segmentos de comércio e serviços. Além disso, resulta no aumento das compras de insumos como sementes, peças para máquinas e fertilizantes por parte dos produtores rurais, e na recuperação de preços de importantes produtos agropecuários, como leite e carne. Tudo isso impulsiona a atividade em regiões com concentração de indústrias que vendem bens financiados (crédito), como máquinas agrícolas, veículos e autopeças, eletroeletrônicos e eletrodomésticos.

Novembro

Segundo o gerente regional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em Bauru, Milton Debiase, especificamente no mês de novembro do ano passado houve estabilidade nos números registrados pelo setor no Interior do Estado. Para ele, dois fatores contribuíram diretamente para este cenário. O primeiro é o fato de que em 2006 as MPEs desta região tiveram faturamento melhor. Outro motivo seria o efeito calendário, já que no ano passado o mês de novembro teve dois dias úteis a menos na comparação com 2006.

“O menor número de dias úteis afetou de maneira mais forte as regiões onde as MPEs vinham crescendo a taxas mais elevadas”, explica Debiase. “A parada na atividade econômica teve impacto nos serviços de transporte e nos serviços prestados a empresas, que dependem da demanda de outras empresas e dos dias úteis”.

O gerente pondera que a região possui concentração industrial e agroindustrial intensa com grandes usinas de açúcar e álcool e frigoríficos. Os municípios de Bauru, Lençóis Paulista, Jaú e Lins perfazem 60% da população de 37 cidades administradas pela regional do Sebrae. São aproximadamente 50 mil pequenos negócios entre indústria, comércio, serviços e área rural. Para Debiase, é correto afirmar que Bauru segue como importante mola propulsora deste crescimento em virtude dos números apresentados pela pesquisa.

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A pesquisa

O Sebrae disponibilizou ontem em seu site (www. sebraesp.com.br) a pesquisa Indicadores Sebrae-SP janeiro 2008 com os resultados do desempenho dos pequenos negócios paulistas em novembro de 2007 em termos de faturamento real, pessoal ocupado, gastos com salários, rendimento médio e expectativa para os próximos meses.

Em novembro do ano passado, as micro e pequenas empresas (MPEs) paulistas mantiveram o ritmo de recuperação do faturamento, com reflexos nas expectativas dos empresários com relação ao desempenho de seus empreendimentos e da economia geral. O nível de pessoal ocupado não acompanhou o desempenho da receita, com queda de 2,4% na comparação de 12 meses (novembro de 2007 com novembro de 2006).

A pesquisa, realizada pelo Observatório das Micro e Pequenas Empresas do Sebrae-SP com apoio da Fundação Seade, monitora mensalmente o desempenho de 2,7 mil pequenos empreendimentos em todo o Estado. O levantamento é dividido por setores e regiões do Estado, sendo a Capital, região metropolitana de São Paulo, Grande ABC e Interior.

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