Economia & Negócios

Aluguéis serão reajustados em 7,75%

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

A dona de casa Neusa Mendonça e todos os outros brasileiros que pagam aluguel receberam uma notícia desagradável ontem: o índice de reajuste foi fixado em 7,75%. A possibilidade de aumento vale para locatários que estão há mais de um ano no imóvel, e o valor será aplicado no mês em que vence o contrato de locação. Muitos deles já valem para janeiro, mês que tem mais encargos acumulados, como o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), matrícula e material escolar, entre outros.

O reajuste dos aluguéis na maioria dos contratos feitos no País segue o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) nos últimos 12 meses, ou seja, 7,75%. Como o IGP-M ficou acima da inflação oficial no ano passado, de 4,46%, os inquilinos terão que arcar com um aumento maior que o do salário mínimo.

O valor do reajuste chama mais a atenção se for comparado com o anterior. Em 2006 o índice fechou em 3,83%, o terceiro menor desde que começou a ser calculado, em 1989.

A orientação do economista Fernando Pinho para os locatários é de negociar. Mesmo que o contrato não vença em janeiro, é bom o inquilino ficar de olho e procurar a imobiliária ou o proprietário do imóvel antes que o reajuste seja aplicado.

Neste caso, em que o reajuste oficial permitido para o aluguel é significativo, vale ainda mais o bom senso entre o locador e o inquilino do imóvel. “É preciso negociar para encontrar um meio termo. Se pagar muito caro, o inquilino pode ficar inadimplente. Porém, se o proprietário bater o pé e exigir o reajuste, corre o risco do locatário sair do imóvel”, argumenta.

O inquilino que pensar em sair do imóvel, no entanto, tem que calcular se vale mesmo a pena. “Mudar de casa pode gerar gastos mais altos ainda, como por exemplo com o transporte, se a residência ficar longe do trabalho. Em alguns casos, gasta-se mais com o transporte dos filhos para a escola, dependendo do lugar onde for morar”, diz.

Cesta básica

Na avaliação do economista, um dos motivos para o aumento do IGP-M no ano passado é o aumento, também, de alguns produtos da cesta básica, principalmente os agrícolas. “Ter um IGP-M alto não é orgulho para ninguém. Significa que a moeda nacional desvalorizou e a renda dos trabalhadores ficou menor”, afirma Pinho.

O aumento do valor do aluguel não assusta apenas os locatários de imóveis residenciais, mas os comerciais também. De novembro de 2006 até o mesmo mês do ano passado, o aumento médio foi de 10,33%, superando com folga a inflação de 6,23%, conforme o IGP-M do período.

Neusa, locatária de um imóvel residencial na Vila Cardia, ficou sabendo do reajuste ontem logo cedo, pela reportagem, antes de tomar o café da manhã. “Infelizmente vocês me trouxeram uma má notícia. Não terei que cortar gastos em casa, mas o lazer da família vai ficar comprometido”, prevê a dona de casa, moradora da Vila Cardia.

Ela mora com uma filha e dois netos - de 11 e 3 anos. Grande parte do orçamento da casa é de sua responsabilidade. A locatária diz que vai procurar a imobiliária para tratar sobre o reajuste. “Este mês está mais caro por causa do IPTU. Antes, pagava R$ 188,00 e subiu para R$ 200,00”, preocupa-se.

Segundo a moradora, o aluguel é o item que mais pesa em seu orçamento. “Pretendo ficar no imóvel que estou até que consiga comprar o meu. A saída é negociar”, conclui.

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