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Aluno não vai mais repetir na 2ª série

Por Flávio Ferreira | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - O governo do Estado de São Paulo recuou na decisão de promover a repetência dos alunos do ensino fundamental de dois em dois anos. A mudança, divulgada em meados de 2007, seria implantada no começo do ano letivo na rede de educação estadual, que possui cerca de 3 milhões de alunos em salas de 1.ª a 8.ª séries. As aulas retomam em 18 de fevereiro.

Atualmente, pelo sistema conhecido como progressão continuada ou aprovação automática, a repetência só pode ocorrer na 4.ª e na 8.ª séries do ensino fundamental. Nos anos intermediários, o aluno só não passa de ano se não freqüentar 75% das aulas durante todo o ano letivo.

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo diz que a mudança de planos foi motivada por avaliações do corpo técnico da pasta. As equipes da secretaria consideraram que a retenção de dois em dois anos poderia promover a elevação de índices de evasão escolar.

A assessoria da pasta disse que a criação de salas separadas para alunos com desempenho ruim é uma solução melhor do que a repetência nos anos intermediários. Esta será a estratégia a ser aplicada no ciclo de 1.ª a 4.ª séries em 2008. Em vez da possibilidade de retenção dos alunos na 2.ª série, a secretaria vai implantar salas de aulas especiais na 3.ª e na 4.ª séries da sua rede de ensino.

As alterações no planejamento da educação estadual foram criticadas por Carlos Ramiro, presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo. Para Ramiro, a implantação da repetência de dois em dois anos levaria a um maior acompanhamento da comunidade escolar em relação ao desempenho dos alunos. O sindicalista também diz que a criação de salas especiais vai causar “uma péssima separação entre os ruinzinhos e os bonzinhos nas escolas”. “Estamos em uma época em que o mundo fala em inclusão social, e o governo estadual implanta a exclusão na sua rede”, diz Ramiro.

A assessoria da secretaria estadual afirma que a medida não vai promover uma segregação em prejuízo dos alunos. Para a pasta, o fato de deixar um aluno com desempenho ruim entre estudantes que não possuem dificuldades é que pode promover problemas de sociabilidade e de aprendizado.

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