Brasília - Pessoas com a imunização contra a febre amarela em dia têm engrossado as filas de vacinação contra a doença no País e acabado rapidamente com as doses enviadas pelo governo federal. Em cinco Estados considerados endêmicos ou de transição da febre, a cobertura vacinal já passa de 100%, o que indica que as pessoas estão se vacinando mais de uma vez num período menor que dez anos - prazo de validade da vacina. Para os governos estaduais, a atitude pode levar à falta de vacina no País.
O Ministério da Saúde diz ver o fato com “preocupação”, mas não acredita que os estoques possam terminar em breve. Ainda assim, a Fiocruz, que fabrica a vacina, teve que cortar as exportações e criar um novo turno de trabalho para dobrar a produção e atender à demanda atual. Neste ano, dez casos da forma silvestre doença já foram confirmados, com sete mortes - números superiores aos de todo o ano passado.
Desde dezembro, foram enviadas aos Estados endêmicos e a Minas Gerais 5,3 milhões de doses. Alguns já não têm mais o medicamento. Em Mato Grosso do Sul, que tem uma população estimada de 2,4 milhões de habitantes, 2,8 milhões de imunizações foram aplicadas desde 2000, quando houve uma procura grande de pessoas pela vacina por causa do alto número de casos de febre amarela.
Segundo o diretor da Vigilância em Saúde do Estado, Eugênio Barros, a revacinação pode levar à falta de vacinas para quem precisa. “Se a vacinação fosse feita dentro do que foi planejado, não faltaria. Se isso muda indevidamente, não há planejamento que agüente.” Ele diz que em alguns postos pessoas chegaram a rasgar a carteira de vacinação para evitar que fossem impedidas de tomar a vacina novamente. O mesmo ocorreu no Distrito Federal.
A cobertura vacinal no Estado já chega a 115%, mas, no momento, a secretaria não tem mais nenhuma vacina contra a febre amarela no estoque. Só em Cuiabá, no último mês foram vacinadas mais pessoas que em todo o ano passado. Em Goiás, todas as pessoas que estavam com a vacina vencida foram imunizadas no ano passado. Mesmo assim, apenas nos primeiros 15 dias deste ano, 1,8 milhão de pessoas foram vacinadas - se considerada a vacinação desde 1 de dezembro, foram 2,4 milhões.
Segundo a Secretaria da Saúde do Estado, de cada dez pessoas que se vacinam, oito já são imunizadas. A coordenadora de imunização da Secretaria da Saúde de Minas Gerais, Tânia Brant, afirma que em alguns municípios mineiros a cobertura vacinal chega a 300%. A média do Estado é de 103%. Segundo ela, a vacinação pode trazer efeitos colaterais. “As pessoas podem desenvolver sintomas parecidos com os da febre amarela. Se existe risco, por que se vacinar outra vez?”
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SP tem três casos
São Paulo - O Estado de São Paulo registra três casos confirmados de febre amarela, um deles com morte da vítima da doença. O Ministério da Saúde registrava até ontem, no País, dez casos da doença, com sete mortes.
A terceira vítima do Estado, que foi confirmada ontem, é moradora de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, e esteve em Bonito, no Mato Grosso do Sul, no final do ano passado. Ela ficou internada no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Caetano, onde foi diagnosticada a doença. A mulher foi tratada e já recebeu alta.