Política

Políticos querem incluir obras no pacote de concessão da Rondon

Marcelo Ferrazoli e Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

Incluir obras viárias complementares no já anunciado programa estadual de concessões de rodovias que incluiu a Marechal Rondon (SP 300) como um dos lotes a ser explorado, ainda este ano, por empresas particulares. É o que defendem o vereador João Parreira (PSDB) e o arquiteto bauruense Jurandyr Bueno Filho, que sugerem a efetivação de gestões políticas ao governo do Estado, com a participação de lideranças políticas, partidárias e entidades sociais, para tentar sacramentar a inclusão no pacote de obras as construções de marginais para o trecho urbano da rodovia, um viaduto no cruzamento da avenida Cruzeiro do Sul com a SP 300 e uma alça de acesso para a Rondon pela avenida Duque de Caxias.

O pedido do parlamentar e do arquiteto poderá ser efetuado diretamente a Serra, através do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), já na próxima quinta-feira, quando está prevista, apesar de ainda não confirmada oficialmente, a vinda do governador a Bauru. Apesar disso, Parreira informou que, na próxima segunda-feira, apresentará requerimento no Legislativo direcionado ao governador solicitando a inclusão das obras no pacote de concessão da Marechal Rondon.

“Vou fazer o requerimento pedindo ao governador a inclusão das marginais da Rondon entre as avenidas Nuno de Assis e Nações Unidas e, por sugestão do Jurandyr Bueno, o viaduto que serviria para fazer a transposição da avenida Cruzeiro do Sul sobre a rodovia e uma alça de acesso a Rondon pelo viaduto da Duque de Caxias. Já conversei com o Pedro Tobias sobre isso e o entendimento dele é que são obras importantes e que teremos de pedir ao governador”, frisou Parreira.

Para o tucano, trata-se de um momento oportuno para efetuar as solicitações. “Até porque, se não fizermos isso agora, a possibilidade de consegui-las é muito remota. Não podemos esperar que a concessão se inicie na prática”, sustentou Parreira, que ressaltou ainda a necessidade de mobilização da sociedade local para o assunto. “Precisamos que haja adesão em massa da sociedade nessa solicitação, principalmente das entidades, partidos políticos, Departamento de Estradas e Rodagem (DER) e do prefeito, com quem também já falei e dispôs-se a envolver-se no processo”, completou o vereador.

Já o arquiteto Jurandyr Bueno Filho ressaltou que o governo estadual poderia levar em consideração o atual estado de conservação da rodovia, que já é duplicada e apresenta asfalto em boas condições, para implementar obras no trecho urbano na Rondon em Bauru. “Pediremos que o governo considere isso e coloque essas obras no pacote de concessões. Isso melhoraria muito o trânsito, pois a Rondon apresenta um trecho muito grande sem ligações com a cidade, como com as avenidas Duque de Caxias e Rodrigues Alves”, enfatizou o arquiteto. “E hoje a Rondon não tem marginais na parte mais importante da cidade e que conta com maior fluxo de veículos, que é o trecho urbano”, acrescentou Parreira.

Consultado sobre o assunto, o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) salientou que, se o governador José Serra confirmar a vinda à cidade, fará o pedido sugerido por Parreira e Bueno Filho. Além disso, Tobias adiantou que, na próxima semana, checará na Secretaria de Transportes, no DER e na Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) quais obras já foram incluídas para a Marechal Rondon no pacote de concessões das rodovias.

Já o subsecretário da Casa Civil do governo estadual, Rubens Cury, argumentou que a iniciativa do vereador e do arquiteto são legítimas e que a implementação das obras não depende somente da administração do Estado. “Essas propostas teriam de ser apresentadas na audiência pública realizada dentro do processo de concessões. A Artesp é quem faz o modelo das concessões e tais propostas são discutidas posteriormente nesse evento. Cabe às lideranças políticas pedirem isso, o que é legítimo, mas não sei se é possível. Tem de ver a viabilidade, não só econômica, mas se há condições de executá-las”, frisou.

Já o diretor regional do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), Denis Lima, ressaltou que o órgão já organizou, no ano passado, um projeto contemplando todas as obras necessárias, incluindo os custos, para a Marechal Rondon, entre elas as pretendidas pelo vereador e pelo arquiteto.

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O programa

O governo do Estado de São Paulo vai publicar edital com cinco lotes de concessões rodoviárias até o final deste mês, dois deles incluindo a exploração e manutenção da Marechal Rondon com a inclusão no programa da duplicação do trecho entre Bauru e Santa Cruz do Rio Pardo e desta cidade até Ourinhos.

Um lote da concessão da rodovia Raposo Tavares, que corta a região entre Avaré e Itaí, vai ter incluída a duplicação de Bauru até a rodovia Castelo Branco, perto de Espírito Santo do Turvo, pela rodovia Bauru-Ipaussu, e, ainda, o prolongamento duplicado deste trecho até Santa Cruz do Rio Pardo e desta cidade até Ourinhos. O lote da Raposo Tavares vai incluir a parte da Bauru-Ipaussu e de Santa Cruz até Ourinhos pela rodovia Orlando Quagliato. Apenas o trecho entre Santa Cruz e Ipaussu não entra neste lote.

A Secretaria dos Transportes incluiu no programa estudo sobre o impacto dos pedágios com as quatro praças desativadas no sentido Interior-capital pelo governo passado. A informação sobre localização e a quantidade de praças de pedágio será apresentada em audiência pública pela agência reguladora de transportes estaduais (Artesp).

Os cinco lotes a serem anunciados são compostos pelas rodovias Ayrton Senna/Carvalho Pinto, Dom Pedro I, Raposo Tavares e dois trechos da Marechal Rondon.

O programa de concessões deve atingir mais de 1.600 quilômetros nesta etapa. A previsão é que o Estado arrecade R$ 2 bilhões com o pagamento de valor de outorga pelo programa. A previsão é que o prazo das concessões seja por 30 anos. Já a Bauru-Marília terá investimento próprio do Estado e, de outro lado, a Rondon foi dividida em dois lotes (Leste e Oeste), um até Bauru e outro até a divisa com o Paraná.

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