Quem for pagar contas ou receber benefícios trabalhistas nas casas lotéricas de Bauru na próxima semana, poderá encontrar dificuldades. A partir de segunda-feira, os proprietários de estabelecimetos em todo o Estado prometem restringir o atendimento ao público para reivindicar aumento na remuneração paga a eles pela Caixa Econômica Federal (CEF).
A medida foi aprovada anteontem pelo Sindicato das Casas Lotéricas do Estado de São Paulo (Sincoesp), em assembléia realizada na Capital. Se a ação for realmente adotada em Bauru, os usuários terão, no mínimo, uma hora a menos para realizar operações como pagamentos de contas de água, luz e telefone. O mesmo ocorrerá para a concessão de abono salarial do Programa de Integração Social (PIS), Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), seguro-desemprego, entre outros.
Segundo a presidente do Conselho de Representantes Lotéricos do Estado de São Paulo e delegada regional do Sincoesp, Sueli Falcão, a partir desta segunda-feira os 2,3 mil estabelecimentos do Estado colocarão em prática uma “operação padrão de atendimento”. Durante 30 dias, as casas lotéricas irão funcionar das 9h às 18h, em ritmo mais brando que o habitual.
Atualmente, a maioria das lotéricas de Bauru atende das 8h às 18h. No entanto, em casas que funcionam dentro de supermercados e hipermercados, o horário de atendimento costuma ser mais estendido: até as 21h ou 22h. Nestes casos, quem aderir ao movimento deverá fechar às 18h.
A operação padrão visa, de acordo com Sueli, pressionar a Caixa a negociar com a categoria o valor pago pelas autenticações das contas recebidas ou dos benefícios pagos. As lotéricas recebem, em média, R$ 0,29 por operação realizada, quando um estudo encomendado pelo sindicato aponta que o valor justo seria de R$ 0,68.
Horário bancário
O sindicato negociou prazo de 30 dias para a Caixa apresentar uma proposta de revisão do valor pago. “Se não chegarmos a um acordo, estudaremos novas medidas de reivindicação”, diz. Após este prazo, há a possibilidade das casas lotéricas começarem a operar apenas no horário bancário, ou seja, das 10h às 16h.
Além do atendimento reduzido, o sindicato irá orientar os empresários a restringir a quantidade de horas extras e a não contratar funcionários para o atendimento nos horários de maior movimento. Entre as reivindicações também está o custeio integral dos serviços de carro-forte para recolhimento do dinheiro recebido pelas lotéricas.
Segundo Sueli, atualmente a Caixa oferece uma ajuda de custo de R$ 850,00 mensais para este fim. “Esse serviço custa entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil por mês. O lotérico, que está em uma dificuldade tremenda, não tem de onde tirar para pagar essa diferença”, observa.
Os donos de lotéricas também são contra o plano de expansão do número de unidades divulgado pelo banco. “Nós já estamos com uma fatia de mercado sacrificante, imagine se ela diminuir. Os futuros empresários dessas novas lotéricas se transformarão em mais uma leva de descontentes”, diz.
Em nota, a Caixa informou que vai implantar 2.534 novos terminais em 2.234 lotéricas do País até o final de fevereiro. Somente em São Paulo, serão 806 equipamentos instalados em 729 estabelecimentos. A instituição também informou que possíveis paralisações poderão acarretar em perda da concessão para prestação dos serviços lotéricos.
Consultados pela reportagem, donos de casas lotéricas da cidade preferiram não se manifestar sobre o assunto, mas informaram que estão aguardando comunicado oficial do sindicato sobre a operação padrão para decidir se irão aderir ou não à redução do horário de atendimento.