É prática comum o correntista de um banco consultar seu extrato bancário e ver que entre os débitos feitos naquele mês está o referente a pacote de serviços. O valor cobrado varia de acordo com o banco e a cobertura oferecida. Tem conta que custa até R$ 41,00 por mês. Entretanto, muitos pagam por esse pacote e não utilizam os serviços que ele oferece.
De acordo com o gerente da agência sede da Nossa Caixa em Bauru Antônio Carlos Vieira, a situação é semelhante a de quem compra um aparelho gravador de DVD e não utiliza todos os recursos que ele oferece. Essa subutilização ocorre basicamente por dois motivos: o consumidor desconhece a existência desses recursos ou não sabe como explorá-los, sustenta o gerente.
Um exemplo citado por Vieira é a utilização do Banco 24horas – aqueles terminais eletrônicos onde se realizam transações de diversos bancos, como saque, consulta de saldo ou extrato, entre outras. Segundo ele, os clientes da Nossa Caixa, dependendo do pacote contratado, podem utilizar esses terminais sem pagar nenhuma taxa, mas nem todos sabem disso ou não se preocupam em saber. A maioria dos bancos cobra pela utilização do Banco 24horas.
“Os benefícios do pacote estão disponíveis no site do banco. Além disso, existem cartazes em todas as agências para informar os clientes, mas não são todos que lêem”, diz Vieira.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também disponibiliza em seu site o Sistema de Divulgação de Tarifas de Produtos e Serviços Financeiros (Star). Nele, o correntista poderá consultar as tarifas cobradas pelos dez maiores bancos do País: Bradesco, Citibank, Banco do Brasil, Itaú, Nossa Caixa, ABN Amro Real, Santander, Caixa Econômica Federal, HSBC e Unibanco.
Outra vantagem que parte dos correntistas desconhece é o desconto progressivo no valor da tarifa mensal. Dependendo da aplicação financeira que o cliente mantém no banco, esses descontos podem variar de 25% a 100%. Na Nossa Caixa, por exemplo, quem tem R$ 4 mil depositados na caderneta de poupança tem 25% de desconto nas tarifas. Acima de R$ 20 mil, o desconto é de 100%.
Tempo de permanência como cliente, ações negociadas, uso de cartão de crédito, existência de débito automático, entre outros, também são motivos para a concessão de descontos. Para isso, é preciso que o correntista fique atento e procure negociar com o banco onde possui conta a redução da tarifa.
Segundo estudo da empresa de consultoria Austin Ratings, as tarifas são atualmente a segunda maior fonte de recursos dos bancos, perdendo apenas para a concessão de crédito. Em 1995, apenas 9,8% das receitas totais vinham das tarifas. A mudança ocorreu porque os bancos passaram a cobrar por serviços que eram gratuitos.
De acordo com Vieira, os clientes não são obrigados a adquirir os pacotes oferecidos pelos bancos, mas na opinião do gerente, eles são mais vantajosos do que pagar pelos serviços separadamente.
Para o economista Reinaldo Cafeo, antes de escolher o pacote, o cliente tem de listar os tipos de serviços que ele vai precisar. “Às vezes, ele acha que o pacote mais barato é mais vantajoso, quando na verdade não é. Dependendo do caso, pode valer a pena pagar um pouco mais por um pacote mais completo do que pagar tarifas extras por serviços que não estavam previstos no plano contratado”, recomenda.
A técnica em nutrição Helena Ferreira, 24 anos, não gosta nem um pouco da idéia de ter de pagar uma tarifa mensal para o banco por serviços que ela não usa. Ela conta que utiliza o banco apenas para receber seu salário, pagar contas e fazer alguns saques. “Eu não sei quais são os outros serviços que estão incluídos no pacote que sou obrigada a pagar. Eu uso muito pouco o banco e acho injusto ter de pagar por isso”, critica.
Cafeo também considera essa relação injusta. “Se eu vou a uma padaria, pago somente por aquilo que eu comprei. No banco não é assim. Lá você paga por algo que não usa.”