Encarnando características físicas e buscando apreender a alma de Vincent Van Gogh, Bruno Gagliasso traz a Bauru seu mais novo e intrigante projeto em teatro, a peça “Um Certo Van Gogh”, que tem sessão hoje no Teatro Municipal, às 20h.
Em entrevista ao JC Cultura, o ator que se identifica e admira o pintor holandês do século 19 que redefiniu e influenciou a perspectiva da arte, fala um pouco sobre essa montagem, que estreou nacionalmente há uma semana.
Gagliasso chamou a atenção do público - especialmente o feminino - em tramas da TV como “América”, na qual interpretava um gay que (quase) protagonizou o primeiro beijo homossexual das novelas, e “Sinhá Moça”, com o um tanto caipira e romântico Ricardo. Hoje, Bruno parece tão envolvido com o projeto que não diz ter planos além da peça. “De algum tempo, presente e futuro, é ‘Um Certo Van Gogh’, o projeto da minha vida”.
JC - Como surgiu a inspiração para uma peça sobre Van Gogh?
Bruno Gagliasso - A idéia é minha. Na verdade, esse projeto surgiu há três anos. No início, eu conhecia apenas o que todo mundo sabe sobre esse pintor, que ele era maluco e que cortou a orelha! Com o tempo, comecei a estudá-lo e vi que Van Gogh era um gênio incompreendido de temperamento e sentimentos fascinantes e totalmente entregues à arte.
JC - Você tem uma obra preferida?
Bruno - Gosto muito de “Noite Estrelada” e da série “Os Girassóis”, que ele pintou durante sua estadia em Arles (na França). Van Gogh era um artista à frente de seu tempo que foi um divisor de águas para a arte.
JC - O que você quis passar aos espectadores quando pensou em montar a peça? O que traz Van Gogh ao mundo contemporâneo?
Bruno - É a visão dos jovens sobre o artista que está na peça. Muito já foi produzido sobre ele, mas muita coisa apenas contava sobre a vida do pintor e não mostrava a forma como ele sentia, o porquê desse amor incondicional pela arte. O que eu quis foi mostrar um pouco de seu comportamento e sua arte. Quero que a peça leve mais gente a museus e a estudar a vida dele.
JC - Você se procurou que tipo de referências sobre o artista? Chegou a ver filmes sobre outros pintores? De que forma isso o ajudou?
Bruno - Eu gosto muito de cinema, assisti a várias biografias sobre Van Gogh, documentários sobre expressionismo e impressionismo e também “Sonhos”, do (Akira) Kurosawa, que tem um dos “contos” inspirado na obra “Campo de trigo com corvos”.
JC - Por que a estréia do espetáculo foi fora do eixo Rio-São Paulo, em Fortaleza?
Bruno - Simplesmente aconteceu, porque ao saber da estréia de “Um Certo Van Gogh”, muitos teatros se interessaram em colocar a peça em cartaz. Nós fomos fechando as apresentações e a turnê acabou por ser feita primeiro fora das capitais de São Paulo e Rio.
JC - Essa é sua segunda empreitada como produtor em teatro. Qual a diferença sentida entre as duas peças?
Bruno - A primeira vez eu só produzi, não cheguei a atuar. Era uma comédia do Domingos de Oliveira (“Beijos de Verão”). Dessa vez entrei como ator e mais como idealizador do que produtor propriamente dito. Tanto que o trabalho bruto da produção ficou com o Sandro Chaim, então, na realidade, não pude sentir a diferença. O que gosto mesmo é de ter a idéia e fazer acontecer, mas de outra forma, sou péssimo para administrar.
JC - Você começou em teatro, Bruno? Cinema, televisão ou teatro, qual você prefere?
Bruno - Sim, tinha 14 anos e fazia teatro amador. Não me lembro o nome da primeira peça, fazia um curso na Escola de Teatro Leonardo Alvez, no Catete. É que eram muitas as montagens que o grupo fazia. Já na TV, eu estreei em “Chiquititas”, no SBT em 1999. A minha preferência é atuar, não importa a área, o legal é se adequar a cada linguagem.
• Serviço
“Um Certo Van Gogh” em cartaz no Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves, hoje às 20h. Os ingressos custam R$ 40,00 (inteira), R$ 30,00 (com bônus veiculado no JC) e R$ 20,00 (meia-entrada válida para estudantes, pessoas acima de 60 anos e professores da rede pública de ensino). O Teatro Municipal fica na avenida Nações Unidas, 8-9. Mais informações: (14) 3235-1072 e 3018-5091.