Peculiaridades do pássaro: voar, viver em bando, fazer ninho, ter seus filhotes, buscar a própria sobrevivência, como todos os seres vivos. Pássaros e outras aves são animais maravilhosos. Esta é a sua desgraça, muito encanto e valor atraem a cobiça humana.
Questiono-me: o que leva uma pessoa a aprisioná-los? Será insensibilidade, ignorância, prepotência, maldade, dinheiro? Não consigo vê-los em gaiolas nem participando de torneios de canto sem sentir um misto de revolta, tristeza e indignação.
Os argumentos de criadores e vendedores de pássaros são pífios. Dizem que estão preservando a espécie. Ora, desta maneira, sem voar, infelizes? Dizem que “gostam” deles, mas é uma forma equivocada de amar, senão não os prenderiam em gaiolas só para apreciá-los e ouvir seus trinados, não os “treinariam” para torneios exaustivos. O pássaro faz parte de um comércio muito lucrativo, o resto é enganação.
Dizer também que morreriam caso fossem soltos, só ajuda a perpetuar a sua condição de engaiolado e serve de justificativa para atos desumanos. Aliás, que prazer pode haver em ouvir cantos tristes de pássaros atrofiados e solitários, impedidos de voar? A morte em liberdade é preferível a essa morte lenta.
A lei que proíbe a captura de nossas aves silvestres, permite, incoerentemente, que os exóticos (estrangeiros) sejam aprisionados. Qual a diferença para quem tem asas? Se a soltura não começar um dia, tendo condição de sobrevivência ou não, jamais voarão livres. Quem tem pássaros, que pelo menos recrie o ambiente natural deles, em viveiros grandes, à semelhança do que faz o zoológico municipal.
Portanto, benditas as pessoas que não gostam e não querem ter pássaros e animais, dessas os bichos estão livres; quanto aos que “gostam” deles em gaiolas, Chico Buarque e Francis Hime fazem um alerta em “Passaredo”: voa, bicudo; voa, sanhaço; vai, juriti; bico calado, muito cuidado, que o homem vem aí, o homem vem aí.
Pedro de Souza Meira - RG 27.849.708-1