Columbia - O Partido Republicano dos EUA chegou ontem à votação das prévias nos Estados da Carolina do Sul e de Nevada mantendo o quadro de pulverização de forças que tem marcado a disputa interna até agora.
Mesmo que um único candidato vencesse nos dois Estados, o que não seria provável, no cenário geral a corrida continuaria nebulosa, sem que fosse possível apontar os concorrentes mais fortes - ao contrário do que acontece no Parti-
do Democrata, em que o terceiro colocado, John Edwards, já é praticamente tido como carta fora do baralho, enquanto Barack Obama dá passos firmes para alcançar Hillary Clinton.
“A verdade é que nenhum dos candidatos satisfaz o que o eleitor republicano quer hoje, após sete anos de Bush. Por isso que a cada hora um candidato sobe, outro desce. As candidaturas não são consistentes’’, diz Thomas E. Mann, analista político do Instituto Brookings, de Washington.
Rudolph Giuliani e Mike Huckabee já visitaram a posição de primeiro colocado nas pesquisas nacionais, onde está McCain atualmente. Fred Thompson, que foi deixado para trás pelos três e também por Mitt Romney, já foi o segundo na preferência. E a roda-gigante de candidatos pode continuar, diz Mann.
“Se McCain fosse tão forte, ele não teria perdido para Mitt Romney em Michigan. E não é que ele não fez campanha, ele fez uma grande campanha em Michigan’’, diz o analista. “Está muito difícil manter os princípios republicanos de defender tradicionalismo, corte de taxas, reforçar a defesa e ainda assim atender aos novos anseios da população. E há os receios da economia. Como defender corte geral de taxas para hipotecas, com essa crise? É difícil. Por isso cada candidato é de um jeito e nenhum é do jeito que o eleitor republicano quer.’’
Na análise da revista inglesa “The Economist’’, para a qual “o Partido Republicano está em confusão’’, os candidatos do partido erraram ao desprezar questões importantes para o eleitores. “Eles enfiaram a cabeça na areia sobre o aquecimento global. Eles ignoraram a crescente ansiedade sobre a estagnação da classe média. Eles transformaram a guerra e o terrorismo em assunto decisivo e depois se atrapalharam. Os republicanos agora correm o risco de estarem errados ou meio errados em duas das questões definitivas de seu tempo, o aquecimento global e o radicalismo islâmico’’, analisa a revista.
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Peso simbólico
Nevada e Carolina do Sul, como os outros Estados que fizeram primárias até agora, pesam pouco na contagem final de delegados a que cada candidato tem direito para vencer a indicação do partido. O primeiro soma 34 delegados e o segundo 24, números quase insignificantes no universo total de 2.345.
Os resultados, no entanto, são considerados importantes por ajudar a projetar a tendência para a Flórida (no dia 29, com 57 delegados), nos mais de 20 Estados da Superterça (no dia 5 de fevereiro, que somam 1.081 delegados) e nos Estados seguintes (o Texas, que tem o maior peso, dá direito a 140), cujas prévias acontecem até junho. O número de delegados é proporcional à população de cada Estado.