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PSDB: o novo partido ônibus


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Sob o título “O Futuro do PSDB”, publicado na edição do dia 18 de janeiro do Jornal da Cidade de Bauru, o deputado estadual Pedro Tobias fez uma análise superficial da atual conjuntura política de seu partido, o PSDB. Afirma ser fundamental o lançamento de candidatura própria na cidade de São Paulo, assegura ainda que o “PSDB tem que retornar sua identidade”.

A meu ver, a identidade perdida do PSDB ultrapassa em muito a simples questão de lançamento de candidaturas. “Longe das benesses oficiais, mas perto do pulsar das ruas, nasce o novo partido”. Com essa frase fundou-se o Partido da Social Democracia Brasileira em 1988. Perto de completar vinte anos de fundação, o que se vê hoje nos quadros peessedebistas é uma corrente programática totalmente inversa aos seus objetivos iniciais.

A maioria dos fundadores do PSDB eram políticos oriundos do PMDB que, por discordar dos rumos que a legenda tomava, sobretudo na elaboração da Constituição de 1988, resolveram se agrupar nessa nova e então promissora sigla. Lembro-me como se fosse hoje que o então prefeito de Bauru Tuga Angerami, ao se filiar no PSDB, disse que deixava o PMDB por considerar que tinha se tornado um “partido ônibus”, explicando que quando alguém entra em tal veículo não se pergunta de onde vem ou para onde vai.

Pois bem. A mesma perda de identidade ocorre já há um bom tempo no PSDB. Fui fundador do PSDB em Gália, logo após a data de fundação do partido a nível nacional. Fui presidente do PSDB em Gália por duas vezes, além de ter sido vereador e presidente da Câmara local por essa mesma legenda na legislatura 1993/1996. No ano de 2000, concorri a prefeito pelo PSDB, tendo sido derrotado naquelas eleições.

A assunção de políticos das mais variadas correntes ideológicas no Diretório Estadual do PSDB de São Paulo culminou com o plano de entregar a maioria dos diretórios municipais do PSDB no Estado para os ganhadores daquelas eleições, independente de suas convicções políticas. A meta era eleger o próximo governador (Geraldo Alckmin). O pensamento reinante era o custo em relação ao benefício, ou seja, seria menos oneroso para a legenda o engajamento gratuito dos prefeitos eleitos, que em troca receberam verbas estaduais para aplicação em seus municípios; do que investirem recursos do próprio bolso nos perdedores, mesmo sendo estes ideologicamente fiéis. No caso do Diretório do PSDB de Gália, todo o Diretório Municipal foi destituído e, pasmem, pelo motivo de não ter lançado candidato a prefeito em Gália na eleição de 2000!

Mesmo assim continuei no PSDB, certo de que, como meu pai sempre dizia, o mundo dá voltas. Tempos atrás, porém, concluí que a perda de identidade do PSDB é um processo irreversível, pois os ônibus do PSDB partem a todo instante dos mais variados terminais desse Brasil afora, trazendo consigo cada vez mais gente com destino às benesses oficiais.

O autor, José Afrânio Scaramucci, é empresário e vice-prefeito de Gália pelo PDT

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