Polícia

Defesa pede revogação de prisão de policiais por matar adolescente

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Os advogados de defesa de quatro policiais envolvidos na morte do adolescente Carlos Rodrigues Júnior, 15 anos, protocolaram ontem pedido de revogação da prisão preventiva de seus clientes. Na sexta-feira, o juiz Benedito Antônio Okuno, da 1.ª Vara Criminal, deferiu o pedido de prisão preventiva dos seis policiais - tenente Roger Marcel Vitiver Soares de Souza, 31 anos, cabo Gérson Gonzaga da Silva, 42 anos, soldados Emerson Ferreira, 35 anos, Ricardo Ottaviani, 34 anos, Maurício Augusto Delasta, 33 anos, e Juliano Arcângelo Bonini, 34 anos.

Eles foram acusados pelo Ministério Público de homicídio doloso e tortura. Os seis policiais estão presos na Capital, no Presídio Militar Romão Gomes desde o dia 16 de dezembro, após a morte do adolescente.

Ontem, o advogado Sérgio Mangialardo informou que protocolou o pedido de revogação da prisão preventiva de Silva, Ottaviani, Delasta e Bonini. O pedido deverá ser apreciado pelo juiz Okuno e pelo Ministério Público.

Consultado pelo JC, Evandro Dias Joaquim, advogado de Souza, informou que prefere se reservar no momento. Também na tarde de ontem foi expedido o despacho do juiz para que os policiais sejam interrogados em São Paulo, em data ainda a ser definida.

Rodrigues Júnior foi morto no dia 15 de dezembro passado, no Núcleo Mary Dota. Ele e mais um rapaz eram suspeitos de ter roubado uma motocicleta e os policiais foram até a casa de Rodrigues Júnior averiguar a denúncia. A suspeita é que os PMs torturaram o jovem até a morte. De acordo com o Instituto Médico Legal (IML), o rapaz levou 15 choques elétricos, sendo um fatal. A motocicleta roubada foi encontrada no quintal do adolescente e a vítima do roubo reconheceu Rodrigues Júnior como autor do crime.

ONG visita família

A organização não-governamental (ONG) Ação dos Cristãos para a Abolição da Tortura (Acat), que cinco dias depois da morte de Carlos Rodrigues Júnior, veio a Bauru oferecer amparo à família da vítima, retornou ontem ao Núcleo Mary Dota.

De acordo com Débora, irmã do adolescente, a psicóloga da entidade conversou com a sua mãe, Elenice. Segundo ela, além de estresse pós traumático, a especialista avaliou que Elenice apresenta quadro depressivo. “Agora a minha mãe voltou a comer. Mas ela continua dormindo poucas horas por noite. E vive acordando assustada”, relata.

Segundo Débora, a equipe da ONG conversou com a família e se comprometeu a retornar no próximo mês para definir como será o acompanhamento psicológico dos familiares do adolescente.

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