Na ciência geográfica, cidades como Bauru são consideradas de médio porte, ou também denominadas “cidades médias”. Para a análise e determinação dos agrupamentos urbanos médios, existem parâmetros demográficos, econômicos, espaciais e temporais. O IBGE até chega a destacar o município de Bauru como sendo um agrupamento “submetropolitano”. O instituto analisa Bauru como uma aglomeração urbana que agrega muitos atributos, exercendo uma atração em cidades, em um grande raio de extensão. Esta avaliação é visualizada e comprovada por todos os habitantes de nossa cidade e região.
O geógrafo francês Michel Michel, na década de 70, indica que a “cidade média é apresentada como última chance de se promover um novo urbanismo, e de ser bem sucedido naquilo que fracassou na grande cidade”. Bauru, com aproximadamente 360 mil habitantes, se enquadra nesta análise do especialista. Temos todos atributos necessários para nos impormos como uma cidade média qualificada e polarizadora. Para uma cidade média se apresentar como destaque, ela necessariamente deve apresentar uma elite forte e produtiva, aqui longe do termo pejorativo como comumente se emprega, sendo esta produtora de riqueza, inovação e conhecimento. Também deve ter serviços qualificados, além de ter setores da economia fortes e pujantes.
È um exercício de grande facilidade encontrar esses fatores na cidade “sem limites”. Pena que algumas pessoas, ainda não tiveram o prazer de fazer este exercício de análise, e emitem opiniões em jornais e entrevistas televisivas contrariando, por exemplo, a falta de atributos industriais da economia bauruense. Lamentável! As possibilidades que um município de médio porte apresenta são inúmeras. Pelo contingente populacional, estar entre a grande cidade e a pequena, a força de trabalho é pulsante e dinâmica. A qualidade de vida (vale lembrar que há muito por fazer) está dentro do índice de desenvolvimento humano alto, assim, temos qualidade e ambiente saudável para melhorar a vida de todos cidadãos.
O ano começou com homicídios que não podem ocorrer em aglomerações que prezam pelo desenvolvimento social, mesmo assim a violência na cidade não chega aos números apresentados nas grandes aglomerações. Volto a afirmar, que pelo tamanho de Bauru, os homicídios deveriam ser menores. Outro atributo, impressionante, é sua capacidade técnica e intelectual. Poucos municípios, de médio porte, apresentam uma aglomeração de escolas técnicas para seu usufruto e da região. As universidades e faculdades, aqui presentes, formam um pool intelectual que deve ser agrupado, e auxiliar no desenvolvimento de Bauru. Vale ressaltar a economia bauruense, que presta um grande serviço, não só para os bauruenses, mas para toda região. Com todos esses atributos somados e interligados, resta a Bauru agregá-los. A agregação se dá pela importância que os próprios cidadãos dão a seu espaço de vivência. As atitudes que apresentamos para com o “nosso” município, é que determina a potencialidade da média cidade.
Acredito que o exemplo, pernicioso, danoso e egoísta, dado pelos vereadores de Bauru, aumentando os próprios rendimentos, não se compatibiliza com a importância do valor comunitário de uma média cidade. Na média cidade a integração do cidadão e dos órgãos públicos pode ser mais forte e produtiva. Em uma grande aglomeração, a integração é frágil e diluída. Os reclamos da população chegam aos ouvidos dos líderes e representantes de modo mais rápido e direto. O caderno de discussão sobre a cidade de Bauru impresso pelo Jornal da Cidade há pouco tempo (1 de janeiro) é um marco sobre o exercício de democracia que deve haver em uma cidade.
As dificuldades de infra-estrutura físicas e sociais (ruas, pontes, iluminação, saneamento, saúde, creches, escolas e áreas de lazer), podem ser solucionadas com maior vigor e rapidez. Porém, não podemos nos esquecer que estamos enquadrados em uma influência estadual, nacional e até global. Mesmo influenciados pos fatores externos, devemos sempre reforçar nossos laços comunitários e de compromisso, sendo redundante propositalmente, entre nós cidadãos e como nosso espaço de vivência. As cidades médias são laboratórios para a implementação de experiências, que podem salvar, as grandes aglomerações de nosso país. Temos qualificações técnicas e sociais para colocar Bauru na vanguarda das cidades médias, fazendo este serviço construiremos uma Bauru mais justa para todos os cidadãos.
O autor, Eli Fernando Tavano Toledo, é professor de Geografia. - e-mail: eli_geo@yahoo.com.br