Nem sempre a sabedoria popular está certa e um exemplo é quando o assunto é raio. Dizer que ele não cai duas vezes no mesmo lugar é um mito, mas enfatizar que todo cuidado é pouco não é exagero. No último final de semana, três pessoas morreram vítimas de descargas elétricas - uma era criança - em Araçatuba e Bertioga. Apesar de serem até fatais, apenas 10% dos raios oferecem risco às pessoas: aqueles que ocorrem entre as nuvens e a Terra.
A maior parte deles fica apenas nas nuvens e pode causar acidentes em aviões que passam por perto. O Corpo de Bombeiros de Bauru orienta que cuidados simples podem diminuir as chances de ser atingido por raio. O maior perigo é ficar em local descampado, como os campos de futebol e pastagens. Se abrigar debaixo de árvores é um erro comum. Se não for possível entrar em uma residência, é melhor ficar agachado no chão, com as mãos na nuca e os pés juntos.
Se possível, ficar dentro de um automóvel com as janelas fechadas. “Ficar dentro da água, em piscinas ou rios, também é um erro comum, pois a água conduz eletricidade”, alerta o tenente Cláudio Ribeiro da Silva. Os bombeiros são treinados para atender acidentes envolvendo raios e dizem que as conseqüências são praticamente as mesmas de queimaduras por energia elétrica. “Se presenciar alguma vítima, é melhor deixá-la deitada e ligar para o Corpo de Bombeiros (telefone 193). Ao contrário do que muitos pensam, quem recebeu a descarga de um raio não transmite energia para outra pessoa. Portanto pode ser tocada”, explica Silva.
Ao que tudo indica, a incidência de raios neste ano será maior do que em 2007, já que a previsão é de um verão mais chuvoso na região, mas não há motivos para se assustar. Segundo a página eletrônica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em incidências de raios, Bauru ocupa a posição 397 entre os 645 municípios do Estado de São Paulo.
“Podemos dizer que haverá mais incidência de raio neste ano pois a chuva está diretamente ligada a esse fenômeno. Além disso, cada vez mais o homem ocupa áreas que antes eram terrenos baldios e pastagens”, afirma o físico e técnico em manutenção de radar do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), Demilson Quintão.
Em um cálculo feito pelo Inpe, caem cerca de 2,6 raios por quilômetro quadrado por ano em Bauru. Neste ranking, o município com maior incidência de descarga elétrica do Estado é São Caetano do Sul, com uma densidade anual de cerca de 12 raios por quilômetro quadrado.
De olho no céu
Os raios podem chegar ao solo a até 15 quilômetros de distância do local da chuva, portanto, mesmo se não está chovendo, há risco de cair um raio. Por causa disso, quando as nuvens ficam escuras e se aproximam com velocidade já é perigoso andar por terrenos descampados.
É mito dizer que sapatos com sola de borracha ou os pneus do automóvel evitam que uma pessoa seja atingida por um raio. No entanto, a carroceria metálica do carro dá uma boa proteção a quem está em seu interior, se este não tocar em partes metálicas. Mesmo que um raio atinja o carro é sempre mais seguro ficar dentro do que fora dele.
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Fatais
No último sábado, duas pessoas da mesma família foram atingidas por uma descarga elétrica em Araçatuba. Uma menina de 9 anos e sua avó, de 58 anos, morreram na hora. O acidente ocorreu quando elas voltavam para a casa e atravessavam um terreno baldio após visitarem um parente.
Um turista de São Paulo que estava em Bertioga também morreu atingido por um raio quando estava encostado em um coqueiro, em uma praia. Duas pessoas que estavam com ele também se feriram, mas não morreram.
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Como os raios se formam?
Quando uma tempestade começa a se formar, o vento gera atrito entre o gelo e a água existentes nas nuvens. Esse atrito faz com que a energia estática fique tão grande que o ar entre a nuvem e a Terra conduz energia elétrica para o solo.
“Raios são várias descargas elétricas de curtíssima duração e grande intensidade”, resume o físico e técnico em manutenção de radar do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (Ipmet) Demilson Quintão.