Regional

Moradores podem adotar sirene antifuga

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - Moradores das imediações da Cadeia Pública de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) chegaram ao limite. Não suportam mais a presença dos presos e seus movimentos, tentativas de fugas, rebeliões. Vivem acuados, presos dentro de suas próprias casas. Depois de muita reclamação, eles resolveram tomar uma atitude. Pretendem instalar uma sirene que será acionada sempre que houver qualquer movimentação na carceragem.

O alarme servirá, especialmente, durante a madrugada, para alertar todos os moradores do perigo, evitar que algum, menos avisado, seja pego de surpresa e sofra as conseqüências do ato de um dos presos em fuga.

O “toque de recolher”, segundo informações apuradas pelo JC, já foi adquirido, mas não instalado. Deve ser adotado nos próximos dias, antes do início do Carnaval, período festivo em que os presos amontoados na celas costumam fazer algum movimento de revolta.

A Cadeia Pública de Botucatu está no bairro Alto, em meio a inúmeras residências de classe média. Com capacidade para receber 60 presos em dez celas, ou seja, seis em cada uma, ela está hiperlotada. Com o mesmo número de celas, abriga 206 presos, uma média de 22 por xadrez. “Estamos com uma população carcerária muito acima da capacidade”, explica o delegado seccional de Botucatu, Tadeu Campos de Castro.

Ele disse ontem que foi surpreendido com a idéia da população. Na opinião dele, a instalação da sirene não se justifica. “Com exceção da última fuga, em que um morador sofreu ferimentos, nos demais movimentos dos presos os moradores não tiveram problemas maiores”, comenta.

Ele concorda que a cadeia instalada em área residencial não agrada, mas acha que a população deveria fazer um movimento, ir em comitiva para pressionar os políticos para a instalação de um Centro de Detenção Provisória (CDP).

O seccional cita o exemplo de Bauru para ilustrar a tese de que a construção do CDP vai resolver os problemas carcerários no município. “Em Bauru, foi construída uma unidade de CDP e os problemas com presos provisórios foi resolvido. Eu trabalhei em Bauru e na época a cadeia era o que é aqui hoje, com problemas toda semana, tentativa de fuga, rebelião, superlotação.”

Depois da instalação do CDP, a cadeia da Seccional de Bauru ficou livre só para os presos em flagrante, ressalta o delegado. “Tem uma cadeia para absorver os flagrantes e os demais presos vão para o CDP. Não justifica Bauru e Piracicaba ficarem recebendo presos de Botucatu.” Atualmente, aproximadamente 50 presos da Seccional de Botucatu estão no CDP de Bauru, conforme Castro.

A construção de um CDP em Botucatu tem ritmo de novela. O assunto é comentado na cidade em forma de sátira, por conta da demora. Vários locais já foram apresentados, mas nenhum foi aceito pelo município e pelo Estado.

Na opinião de Castro, os políticos da cidade estão com medo de sofrer desgaste político com a instalação do CDP. “Muito pelo contrário. A população não agüenta mais, quer a cadeia fora da área residencial. Nós estamos com uma população carcerária de provisórios e a unidade deverá ser construída a cerca de 10 quilômetros da cidade”, argumenta.

Maior fuga de presos

Em maio do ano passado, a Cadeia Pública de Botucatu registrou a sua maior fuga de presos. Dos 190 detentos, 61 fugiram na manhã do dia 14.

Para deixar a cadeia, eles serraram as grades e renderam dois carcereiros. Na fuga eles deixaram um rastro de terror.

Uma moradora das imediações da cadeia levou uma coronhada e sofreu fraturas ao tentar evitar o furto de um carro que os presos precisavam para a fuga.

Na época, os moradores do bairro Alto, que acolhe a população de classe média, protestou e pediu a transferência da cadeia. Os moradores já não agüentavam mais as rebeliões e fugas que atrapalhavam a rotina deles.

As casas, edificações bem estruturadas estavam dotadas de todos os tipos de segurança patrimonial, porém, a insegurança era total. Quem tinha filhos pequenos não deixavam que as crianças saíssem para a rua.

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